08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O legítimo 31 de março


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Li uma carta entusiasta sobre esta data. Mas, a julgar pelo perfil estrênuo do autor, que sempre falou em democracia e liberdade, confesso minha estupefação ante a incoerência do que se prega, com o que se pretende. Por extremosa consideração que tenho sobre o assunto, devo dizer que estive naquela passeata dos 500 mil manifestantes. Talvez um pouco mais do que aquela aglomeração da “bomba Rio-Centro”, que os livros do advogado Ivan Garcia fizeram questão de ignorar. Voltando àquela passeata paulistana, toda aquela gente, exceto uns 10%, atendia preferencialmente as classes média-alta e alta, onde se aninhavam velhos políticos corruptos entre outros biltres de renome do nosso país. Aliás, o tempo passou e, nesse aspecto, a coisa continua a mesma. Mas naquela época, bastava que se dissesse algo contra aquela sociedade, e já era fichado como comunista. (Ou não, dr. Ivan?). Hoje não é mais assim, haja vista as prisões de políticos, como se pode ver. É preciso lembrar que muitos empregados de fábricas, empregadas domésticas, favelados que recebiam migalhas atiradas com desprezo no seu canto, foram intimados a comparecer naquele manifesto.

Enquanto isso, caro advogado, uma esquadra dos EEUU perambulava pelos mares do Estado do Paraná. Caso o presidente, rodeado de generais legalistas, resolvesse resistir, haveria, sem dúvida alguma, uma “incursãozinha” para aqueles “marines” robotizados. O estopim esteve no jeito, mas não acendeu.

Todavia, Jango, que não pôde evitar a derrama de dólares convergida para as contas bancárias daquelas lideranças pústulas, que o senhor sempre “baixou a madeira”, conseguiu evitar outra derrama mais importante e mais humana: a de sangue de seus compatriotas. Mesmo assim houve muita perseguição e covardia, que os seus livros parciais não revelaram. E não ousariam revelar, olho-no-olho, conforme o senhor mesmo disse, a brasileiros conscientes, que sabem muito bem o significado daquela vil operação “Rio-Centro”.

Felizmente, o brasileiro das novas gerações não engole mais o papo furado de que os militares daquele episódio enterrado, mereciam a confiança do “olho-no-olho”, incluindo-se todas as novas gerações de militares. Todos sabem que a pior democracia, é muito melhor que a melhor ditadura. Ademais, lugar de militar é na caserna. E já que o senhor gosta tanto, volte!...

Antonio Ribeiro Corrêa - RG 4.168.220