09 de julho de 2026
Articulistas

Os grandes golpes da vida


| Tempo de leitura: 3 min

Se você acabou de levar um grande golpe da vida, saiba que isso não acontece só com você. Na verdade, esses tropeços nos ensinam muito mais do que podemos imaginar acerca das pessoas e das coisas. São situações que nos proporcionam amadurecimento quando encaradas positivamente, mas eu bem sei que essa é a parte mais difícil. Quando nos sentimos pisoteados, afrontados, humilhados... a última coisa que pensamos é tirar proveitosa lição desse incidente dramático. Normalmente, ficamos coléricos à espera de uma oportunidade de revide, quando a vida novamente vier a nos favorecer. Sentir assim é natural, embora não seja nada produtivo. De que adianta ficar rememorando palavras ofensivas, atitudes desrespeitosas, carrancas ameaçadoras? Servem somente para minar nossa paz interior e tornar desconfortável o nosso dia-a-dia.

As pessoas naturalmente dividem-se em dois grandes grupos: os “de bem com a vida” e os “de mal com a vida”. Para os “de bem com a vida”, as coisas ruins também acontecem, é claro, mas são encaradas de forma positiva, servindo de aprendizado, embora doam tanto quanto para os “de mal com a vida”. A diferença básica é que os “de mal com a vida” pensam nisso o tempo todo e procuram avidamente uma vítima para o seu mau humor, o seu descontrole emocional, o seu desequilíbrio interno. Qualquer um pode vir a ser alvo dos “de mal com a vida”, simplesmente porque essas pessoas, quando infelizes, querem arrumar companhia para não ficarem tão sós em seu afastamento orgulhoso. A frustração não é vista por eles como forma de aprimorar-se, pelo contrário, é sinal de que o mundo está contra; e se o mundo está contra: “pau” nele.

Lógico que isso gera um desgaste enorme. A mágoa, ao invés de diminuir, aumenta. Afinal, não é fazendo os outros infelizes que vamos ficar satisfeitos, pois existe uma ligação entre as pessoas e, acima disso, uma lei de ação e reação: se você faz, você recebe. Seria muito melhor tratarmos todas as pessoas com consideração e respeito, cordialidade e afeição. Assim, teríamos um retorno satisfatório de nossas ações.

Precisamos aprender a considerar as pessoas como semelhantes e, assim, merecedoras de nosso apreço. À medida que desprezamos, humilhamos e nos prevalecemos sobre os outros, crentes que lhe somos superiores, criamos uma distância enorme entre nós mesmos e o Criador, pois Jesus disse que “com a medida que tiverdes medido, também vós sereis medidos” (Mt 7, 2), e ainda, “tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles” (Mt. 7, 12). Ora, isso não cria um abismo entre o opressor e o oprimido? Que dirá do Criador e criatura?

Consideremos que a vida é realmente uma escola. Se você foi nocauteado – levante, pois ela concede inúmeras possibilidades de vitória para quem luta. Não desista! A sua felicidade vale todo o esforço. Não há o melhor que o outro. Você é tão importante que Deus o fez único. Creia nisso e jamais alguém irá conseguir humilhá-lo novamente.

A autora, Maria Regina Canhos Vicentin, é psicóloga e autora do livro “Buscando a Felicidade”.