A Polícia Militar do Trânsito organizou ontem uma operação para fiscalizar a suposta realização de rachas na pista do aeroporto internacional. Cerca de 80 veículos, entre carros e motos, foram vistoriados. Com a construção parada desde 2002, o local se transformou em um novo “point” de jovens, que há mais ou menos quatro meses dedicam as tardes de domingo para praticar ou assistir arriscadas competições de carros. Ontem, aproximadamente 300 pessoas estavam no local.
A realização de rachas é proibida pelo artigo 173 do Código Nacional de Trânsito. A pena para quem for flagrado praticando essa atividade é a apreensão e remoção do veículo ao pátio da 5.ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), além de uma multa que pode chegar a R$ 900,00.
“Esse tipo de conduta é considerada gravíssima e coloca em risco o pessoal que está assistindo e a própria pessoa que está dirigindo”, aponta o tenente Jorge Luís Dias, que estava presente na operação. Após receber uma denúncia anônima, os policiais montaram um esquema de investigação para reproduzir os possíveis rachas em vídeo.
De acordo o tenente, três veículos envolvidos em manobras radicais haviam sido identificados pela gravação. “Esses veículos serão notificados e recolhidos ao pátio. Os demais carros e motos serão qualificados. Através do equipamento visual vamos verificar e, se for o caso, enviaremos para apuração do Ministério Público”, explicou Jorge Luís. Além da fiscalização dos veículos, a carta de habilitação e documentos do carro de todos os motoristas foram vistoriados.
Manobras perigosas
A equipe de reportagem do Jornal da Cidade acompanhou a operação da polícia e conversou com algumas pessoas que estavam no aeroporto. A maioria delas eram jovens entre 18 e 25 anos. O motoboy William Goulart Soares, 25 anos, estava no aeroporto e se diz adepto das manobras radicais. Ele contou que há dois meses freqüenta a pista do aeroporto.
“É perigoso, mas eu acho que cada um tem que ter consciência do ato que está fazendo aqui”, disse, confessando que já se machucou uma vez. “É um divertimento que nós temos, já que não existem muitas opções na cidade”, reclamou.
Dois estudantes, ambos de 20 anos - que preferiram não se identificar -, contaram que apesar de achar perigoso, gostam de ver rachas ou manobras radicais no aeroporto. “É muita adrenalina em 2.400 quilômetros de pista”, enfatizou um deles.
As competições perigosas entre carros não agradam apenas aos jovens. Juntamente com os familiares, a aposentada Zilda Alves Lucas, 60 anos, foi conhecer ontem o novo “point”, que já conta até com alguns ambulantes vendendo água, cerveja e refrigerantes. “Ficamos sabendo e viemos ver de perto. Eu gosto de apreciar e ver o movimento. É uma nova emoção”, destacou.