30 de maio de 2026
Articulistas

Terminará a guerra?


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O País ainda está surpreso com a violência que ocorreu na Rocinha (favela do Rio de Janeiro) onde, com todos os aspectos de autêntica guerra, defrontaram-se terrivelmente terroristas e policiais, inclusive do Exército. Havia tempos que aconteciam nos subúrbios cariocas muitos confrontos do gênero, mas o que agora ocorreu escapou totalmente do rotineiro, seja pela violência do enfrentamento, seja pela sua desmedida duração, já que ele venceu dias consecutivos. Esgotou-se, então, aparentemente, a enorme paciência das autoridades da segurança no sentido de suportar a audácia e a truculência dos criminosos e, assim, decidiram elas enfrentar os tais em pé de igualdade, perguntando-se: “Será que quando aceitamos nossas falhas nos tornamos menores? Será que sermos bravos, dotados de gênio forte e de personalidade marcante fazemos com que pareçamos mais inteligentes? Será que nossas brigas nos dão a certeza de que é importante aquilo que buscamos?” Claro que nem tanto assim, deve ser a resposta imediata, uma vez que, reconhecidamente, nada neste tresloucado mundo precisa ser conquistado, adquirido ou colocado de forma impaciente. E é aqui, então, quando se coloca a paciência no topo das considerações humanas, que a coisa pega realmente, mostrando que as pessoas precisam conduzir-se sempre na esfera da simplicidade, da mansidão e da ternura, virtudes, sem dúvida alguma, tão esquecidas no universo, razão pela qual provocam a intranqüilidade e a violência humanas que, martirizando as populações do Rio, São Paulo e outras capitais, levam-lhes o desassossego que atinge as sociedades de todos os centros, urbanos ou rurais. Contudo, gerar paciência nas autoridades não é como fazê-lo nos terroristas e demais criminosos, pois não induz estes últimos a atitudes e condutas pacíficas, honestas etc em necessário respeito à ordem e à disciplina condutoras da normalidade social. Face a isso, quando é que se conseguirá evitar estas e outras guerras como a da Rocinha e presentear o sempre alegre carioca e outras gentes com a vida serena que possuíam. É o que perguntamos sem que queiramos ganhar resposta imediata, pois achamo-la bem difícil.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

“Bem-aventurados são o capazes de descansar e de dormir sem procurar desculpas para seus revezes: eles se tornarão sábios.” (Folliet)