Mais de 95% dos atropelamentos registrados nas estradas que cortam o município de Bauru ocorrem em perímetro urbano, sendo que 65% do total acontecem durante a noite. Mesmo assim, os trechos rodoviários urbanos não dispõem de iluminação pública, tornando iminente o risco de acidentes.
No final da semana passada, uma mulher morreu na rodovia Marechal Rondon, quando tentava atravessar a estrada à noite. Ela foi atingida por uma motocicleta do Pelotão do Trânsito da Polícia Militar, conforme o JC publicou. O policial que conduzia a moto sofreu ferimentos graves, como ocorre em 40% dos casos.
“Acredito que com a iluminação, os casos de atropelamentos e acidentes poderiam cair cerca de 50%. Solicitamos (a providência) como obra de segurança ao governo do Estado há quase dez anos, mas o pedido não foi incluído entre as prioridades”, explica o diretor regional do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Raul Cardoso.
De acordo com ele, se a solicitação fosse acatada, a Rondon seria contemplada entre o trecho que vai da Universidade Paulista (Unip) até o Jardim Gasparini. O investimento seria da ordem de R$ 2,5 milhões. Para clarear os quase 40 quilômetros de estradas que atravessam a cidade e que são utilizados como acesso interbairros, seriam necessários mais de R$ 7 milhões.
Neste caso, seriam incluídas as rodovias Comandante João Ribeiro de Barros, a Bauru-Marília e a Bauru-Iacanga.
Segurança
“A falta de visibilidade agrava a incidência de acidentes, mas não dá para estimar em quanto. Nos acessos 228 da Bauru-Jaú (próximo à Coca-Cola) e no 354 (trevo de entrada da Vila Dutra) da Bauru-Marília, que são iluminados, não temos registros de atropelamentos. Mas quem iria pagar toda essa iluminação?”, questiona o comandante da 1.º Companhia do 2.º Batalhão de Polícia Rodoviária, capitão Augusto Francisco Cação.
A despesa seria dividida entre o Estado e município, informa o diretor do DER. Segundo ele, caberia ao governo estadual, por exemplo, os custos com a instalação de bicos de luz. Já a administração municipal arcaria com a manutenção e o valor referente ao consumo de energia.
A assessoria de imprensa informa que a Prefeitura de Bauru demonstra interesse em firmar um acordo nesses parâmetros, mas diz que o Executivo desconhece qualquer projeto dessa natureza e que ainda não foi contatado pelo DER.
“O município não chegou a ser informado (sobre o pedido) porque esperamos primeiro uma manifestação do governo do Estado para depois elaborarmos um projeto”, explica Cardoso. Na época (ele não soube precisar quando encaminhou a solicitação), ele pediu a intervenção do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB).
No entanto, o parlamentar informa que o trâmite pelo qual passou o pedido voltou à estaca zero após o período de racionamento de energia elétrica, iniciado em julho de 2001. A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado dos Transportes desconhece a solicitação para instalação de iluminação pública em trechos rodoviários urbanos de Bauru.
Opinião
“Ficaria mais barato para o governo se ele investisse (em iluminação). Fica mais caro arcar com a recuperação de acidentados ou com eventuais processos movidos pela família das vítimas. Em algumas rodovias não dá nem para enxergar as placas”, critica o presidente do Sindicato dos Taxistas, Caminhoneiros e Transportadores Autônomos de Bauru e Região, Valdir Faria Freitas.
Confirma o problema o motorista Sidenei Pires de Moraes, que viaja a trabalho freqüentemente. “Não atropelei um cavalo porque estava devagar. Quase morri de susto. Prefiro dirigir durante o dia por causa da visibilidade”, diz. Já o motorista William Atori prioriza o período noturno para percorrer as rodovias, embora admita os riscos decorrentes da iluminação precária.