09 de julho de 2026
Cultura

Artigo: Bem perto dos livros

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 2 min

Ao final da 18.ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, na noite de domingo, a Câmara Brasileira do Livro (CBL) organizadora do evento contabilizou cerca de 550 mil visitantes à feira que já é o terceiro maior evento editorial do mundo. O volume de vendas ainda não foi divulgado, mas segundo dados de uma pesquisa de campo realizada durante os 11 dias 75% dos visitantes efetuaram suas compras.

Durante a Bienal, 320 expositores apresentaram 2 mil lançamentos e colocaram à disposição do público 1,3 milhão de exemplares. Isso é sinal de que no Brasil, um país com 16 milhões de analfabetos, pelo menos se tenta chegar perto dos livros.

Às vezes, a distância está literalmente no acesso. No feriado de 21 de abril, os organizadores precisaram de reforço extra para coordenar um congestionamento de sete quilômetros para chegar ao Centro de Exposições Imigrantes e filas de dois quilômetros para comprar convites. Dentro do pavilhão, nem a magia de Harry Potter e os poderes do Senhor dos Anéis eram capazes desfazer a fila que se formava para um autógrafo no livro “O Gênio e as Rosas” (Editora Globo), com personagens da Turma da Mônica, na parceria do mago Paulo Coelho e do genial Mauricio de Souza.

Presença constante em muitas bienais Ziraldo também causou tumulto no sábado durante as longas dedicatórias, diferentes para cada fã, nos livros “Os Meninos Morenos” e “Livro de Informática do Menino Maluquinho” (Melhoramentos), que aparentemente venderam muito. Até a metade da feira foram 37 mil exemplares para as mãos da meninada.

Aliás, as crianças formavam um público fiel e de sacolinha em punho pelos corredores de estantes gigantes. Assustador era o número de livros de negócios expostos nos estandes. As páginas de auto-ajuda também serviriam para curar os males de meio mundo, no mínimo.

Nas páginas mais lidas estavam as mensagens de fé. O stande do Smilingüido, a formiga cristã, (Editora Luz e Vida) era literalmente um formigueiro, lotado o tempo todo de adultos e crianças ávidos por histórias e mensagens doces e esperançosas.

Nesse contexto, vale lembrar que a Bíblia é o livro mais lido da história da humanidade e não há preconceito algum em começar a cativar novos leitores através de suas páginas. Aliás, suas edições vêm sempre acompanhadas de um português impecável.

Entre celebridades literárias, os debates com o público leitor estimulavam o consumo e a produção de letras. Os jornalistas Zuenir Ventura, Humberto Werneck e Matinas Suzuki defenderam tempo e espaço para o exercício literário nas páginas de jornais e revistas.

É claro que como em todo grande evento não faltaram holofotes e criaturas buscando uma luz no final da câmera, só para aparecer. Mas, felizmente muitas delas deixaram-se seduzir pelas capas e acabaram saindo de lá folheando páginas.

Na próxima Bienal, quem sabe, elas estejam lá novamente, mais perto dos livros buscando novas luzes e outras impressões.