Quando se pensa ou se discute o que é ecologia, o primeiro pensamento que nos vem à mente é a questão do mundo natural, as relações entre os vários eco-sistemas e dos seres vivos.
Lembramo-nos sempre das florestas tropicais, em especial a Floresta Amazônica, a água que vai faltar, a poluição dos mares e rios, o petróleo que polui e está com os seus dia contados etc.
Nos esquecemos, segundo o filósofo francês Felix Gattari, que existem outras duas ecologias que são tão importantes quanto a natural, lembrada por nós a todo momento, que são a ecologia social e a ecologia pessoal e deveriam estar integradas entre si sob pena de não haver vida humana possível no planeta.
A ecologia social seria as relações entre os seres humanos e seus semelhantes, a geração de empregos e riquezas, a distribuição do bem-estar social entre todos através do Estado e organismos vindos da sociedade civil politicamente organizada como as ONG, sociedades de auxílio ao próximo, associações de bairro e comunitárias, relação entre os diversos países que deveria ser de cooperação e não de disputa e competição insana etc.
A ecologia pessoal seria o relacionamento do ser humano consigo mesmo, quer psicologicamente quer fisicamente.
Nesse item teríamos o ser humano preocupado em se conhecer e conhecer o próximo para, equilibrado, poder se relacionar consigo mesmo e com todas as culturas e religiões do planeta. Além disso, deveríamos conhecer o nosso corpo para aprender a respeitá-lo sabendo quais as substâncias poderíamos ingerir, quais os alimentos mais adequados à nossa nutrição e saúde, quais as atividades físicas são mais prazerosas e nos dão equilíbrio e bem-estar sem agressões e conflitos. Conhecer a nossa morada física não é uma tarefa fácil e isenta de influências da mídia e da moda, como todo o resto.
Como se vê, falar em ecologia só sob o aspecto natural é um engano e esconde o desequilíbrio em que o ser humano vive nos dias de hoje.
Se você quer ser uma pessoa ecológica e equilibrada, lembre-se que além da natureza deveríamos nos preocupar com o mundo de Marlboro que fumamos, mesmo involuntariamente e com as crianças pedindo uns trocados nos faróis.
O autor, Fábio Paride Pallotta, é professor de História em Bauru.