10 de julho de 2026
Cultura

Artigo: Música para as massas (e põe massa...)

Diego Molina e Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

Entre o extasiante, o irritante e o decepcionante, o Skol Beats acaba sendo uma experiência única até mesmo para os não tão fãs de música eletrônica. Dançar é a ordem do evento, e tal qual um Carnaval (afinal estamos no Sambódromo), mesmo depois do sofrimento para alcançar o bar ou o banheiro, todo mundo volta a balançar ao som de algum DJ famoso ou de outro que você não tem a mínima idéia de quem seja.

Foram 58 atrações divididas entre o palco externo - o Outdoor Stage - e as tendas Movement (drum’n’bass), The End (house), Bugged Out! (tecno) e Skol Club (house e trance). Isso em 17 horas non-stop de música, como anunciava a organização, e com a constatação de que é simplesmente impossível conferir tudo o que você quer ver.

A distância entre o palco e as tendas - a extensão de todo o Sambódromo - e a quantidade absurda de gente (mais de 45 mil pessoas) dificultava o trânsito até mesmo de quem havia se programado e montado sua tabelinha de “imperdível/ só se tiver tempo/ nem quero ver”.

Some-se a isso a cerveja já quente ainda à 1h, a falta de água (e mesmo cerveja) durante parte do evento e as filas intermináveis para usar o banheiro (principalmente no caso das mulheres) e o público pode se sentir na própria “ilha quadrada”. Antes mesmo, na porta do Anhembi, as pessoas chegavam a esperar mais de duas horas na fila.

Por outro lado, a organização foi irretocável na escalação das estrelas da noite e surpreendeu até mesmo os entendidos no assunto com ilustres desconhecidos, como o trio Scratch Perverts, que fez um histórico do hip-hop e demonstrou domínio total da técnica. O público também colaborou com o clima do evento: da tarde de sábado à manhã de domingo foram contabilizadas nove ocorrências, segundo informações da Polícia Militar.

Nesta edição, o melhor lugar da festa foi o Outdoor Stage, o palco principal. Os problemas de som passaram quase despercebidos e quem comandou a festa se esforçou para empolgar o público (com exceção do Fischerspooner). A atração mais esperada, o Basement Jaxx, foi a atração, digamos, mais redonda do festival.

Se a intenção da dupla era fazer o público brasileiro balançar, a missão foi cumprida com sucesso. Felix Burton e Simon Ratcliffe subiram ao palco pouco depois das 23h acompanhados de banda e três vocalistas poderosas e fizeram o mais animado set da noite, oferecendo o que a galera queria. Além de hip-hop, funk, house e outras influências black, a dupla fundiu White Stripes e o riff de “Seven Nation Army” levantou quem ainda não estava dançando, para emendar com “In Da Club” do 50 Cent e “Work It” de Missy Elliot.

Entre músicas do último disco da dupla, “Kish Kash”, e sucessos como “Where’s Your Head At”, o Basement Jaxx ainda levou ao palco uma linda mulata devidamente trajada para o Carnaval para encerrar com “Samba Magic”. Ninguém se importou com o clichê nem com a chuva que começava a cair, e o show fica na memória como inesquecível, para ser educado e não dizer “do c*****o”.

Momentos altos foram também as performances do DJ italiano Benny Benassi, do argentino Hernan Cattaneo e do brasileiríssimo Marky, que entupiu a tenda Movement por mais de duas horas de drum’n’bass. Fãs entoavam “Carolina Carol Bela”, de Jorge Ben, no remix “Lk” e reverenciavam o DJ ao final da apresentação.

O brasileiro cedeu as pick-ups para os Scratch Perverts, que arrebanharam fãs de hip-hop, cybermanos, punks e quem mais estivesse lá dentro e mantiveram o clima quente dentro da tenda - a mais lotada durante toda a noite.

Quem conseguiu ver também elogiou os sets de Roni Size e Patife na tenda Movement, de Murphy, Renato Cohen e Mauro Piccoto na Bugged Out! e Derrick Carter, Mau Mau e Darren Emerson na The End.

Quadrado

Na categoria Decepcionante, o campeão foi o Fischerspooner, expoente mundial do electro e também entre as maiores atrações do Skol Beats. O afetado vocalista Casey Spooner - parceiro de Warren Fischer - cansou o público falando sobre as canções e seu sonho de ver os brasileiros entoarem o refrãozinho de uma balada - isso mesmo! - sem graça.

Mesmo com uma banda poderosa, performances de dançarinos e muitos efeitos, o público só se animou mesmo no hit “Emerge”, que, embora interrompido devido a uma alegada “falta de empolgação” do público, voltou às caixas de som para encerrar o set.

Entra nesta categoria também a falta do top-DJ inglês Sasha, que estava escalado para a tenda Skol Club mas não apareceu “por motivos pessoais”, segundo a organização do evento.

E por todo o Anhembi, o que mais chamava a atenção era a diversidade. Clubbers, cybermanos, patricinhas, pitboys, casais gays, alguns VIPs, homens de saia, curiosos e outros “por fora” se cruzavam pela democrática avenida do samba paulistano à procura de algum DJ conhecido, do Chill Out ou do banheiro mais próximo.