Caracterizados pela terrível incidência de um milhão e 200 mil mortos por ano em todo o mundo, os desastres e acidentes rodoviários envolvendo automóveis, ônibus, caminhões e motocicletas estão perdendo a velha classificação de “problemas de trânsito” e ganhando a de “problemas de saúde”. A nova definição é da Organização Mundial de Saúde que, diante da soma fabulosa de óbitos e feridos que as colisões vêm provocando nas rodovias, avenidas e ruas, vê-se na contingência de modificar a denominação das ocorrências. Entende a entidade que já não pode classificar como decorrência única e simples da circulação rodoviária a extraordinária soma de falecimentos que estão ocorrendo ao lado, realmente, das questões de saúde, como câncer, problemas coronários, doença de Chagas, dengue, aids, reumatismo, malária e outras. Tem de inseri-las, então, entre todas as demais e enveredar no sentido das competências dos poderes públicos, tendo em vista transferir para eles a função de “médicos” do setor ou, então, de “professores das matérias de trânsito”, especializados no ensino de quantos, volantes nas mãos, teriam de ter a obrigação de diminuir a velocidade de suas máquinas, respeitar os sinais semafóricos e também a integridade física dos transeuntes que usam as estradas e vias públicas urbanas que se encontrem à frente de seus insólitos “carangos”.
Incumbe às autoridades disciplinar os motoristas em geral, sem o que a existência das pessoas estará sempre à sua mercê e, então, se transformando mesmo em vítima da desrespeitada saúde humana, de gente que sai feliz de sua casa, sobre seus obedientes pés, e, no entanto, retorna morta ou ferida em ambulância hospitalar ou em urna mortuária... As diabruras que a maioria dos motoristas executa não têm tamanho, não se incomodando com nenhum obstáculo que esteja diante de seus veículos, certamente achando que o problema de preservação da saúde das pessoas que circulam nas vias pertence só a elas e não aos policiais. É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.
"Tudo na vida faz parte do grande todo. Lembra, então, que a paz pode nascer da guerra, assim como depois da noite irrompe a madrugada.” (Carroussel do Tempo)