08 de julho de 2026
Turismo

O ouro e a universidade

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

A Universidade de Coimbra e os universitários com suas vestes e capas pretas ocupam o segundo lugar entre os pontos turísticos mais visitados da cidade dos “choupais” (árvore nativa).

Fundada em 1290 por Dom Diniz, a universidade foi definitivamente transferida para Coimbra em 1537, com marcas em sua arquitetura: portais manuelinos e sinais de exuberância. Exemplo da Biblioteca Joanina, com mesas e prateleiras de madeiras exóticas, entre elas o pau brasil, revestidas em ouro extraído das minas brasileiras.

A universidade é imponente também em outros aspectos: a Via Latina que dá acesso à sala dos “grandes atos”, a capela dos cerimoniais acadêmicos e a torre de 34 metros que continua marcando as horas, sendo vista de qualquer ponto da cidade. O topo, na lateral, reproduz a cara de uma coruja, símbolo mundial da sabedoria.

Embora a universidade tenha séculos e séculos de história, seu maior símbolo continua sendo seus brilhantes estudantes que a tornaram sinônimo de tradição e prestígio mundial.

Eles deram e continuam a dar a Coimbra, fados e baladas, livros e poemas, sonhos e saudade. Mesmo se formando, queimando o “grelo” (fita), não esquecem Coimbra jamais.

Em Bauru, inclusive, há profissionais de várias áreas, inclusive professores de direito, que se especializaram lá.

Romantismo nas ladeiras

Visitar Coimbra, assim como outras cidades portuguesas, exige boas pernas e calçado confortável. Depois de conhecer a universidade, a dica é descer ladeiras e mais ladeiras rumo a parte central. Um caminho carregado de romantismo, por conta das escadarias com corrimões de ferro, o encontro com personagens típicos da cidade com xales e meias pretas e parada para uma “bica” (café) numa venda, acompanhada de pastel de nata (o termo Belém é exclusivo na Capital, Lisboa).

A vida é surpreendente em Coimbra. São os pequenos detalhes que surpreendem os visitantes em suas ruas. São como no canto dos poetas: lugares únicos onde o que enternece é presenciar em uma janela um rosto sulcado pelo tempo, uma folha que adormeceu no banco de um jardim, o cheiro das tílias, a luz de um final de tarde na fachada de um templo, ou os sons que vêm por trás de todas as casas onde os risos dos pequenos (miúdos) se misturam com melodias dos “Dias da Rádio”...

Em maio, essas cenas do cotidiano ganham peso por conta dos universitários com suas capas negras que descem as escadarias da Sé Velha e à noite promovem serenatas provando que o romantismo, apesar dos tempos modernos, nunca perde terreno.

Como Coimbra conta com duas catedrais, elas se tornam obrigatórias em qualquer roteiro. A Velha Sé foi construída em 1184 e testemunha o imaginário da arte românica. Por sua vez, a igreja de Santa Clara, testemunha a devoção que o povo prestava à rainha Dona Isabel de Aragão, que se tornou santa.

Foi em Santa Clara - a velha - que viveu Inês de Castro, a mulher que Dom Pedro I (não confundir com o do Brasil) se apaixonou. E foi também ali que Dom Afonso IV mandou executá-la, iniciando assim a mais trágica e imortal história de amor escrita em português.

Saindo das paredes seculares das igrejas, conventos e museus como o Museu Nacional Machado de Castro e Museu da Cidade, é imprescindível caminhar pelas ruas, já que Coimbra, palavra que vem da latina Conímbriga, é acompanhar a história portuguesa.