30 de maio de 2026
Política

Oposição critica, mas Maria Inês fica

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

A manutenção de Maria Inês Sander no comando da Secretaria de Finanças - anunciada ontem pela administração municipal - foi recebida com estranheza pelos vereadores José Clemente Rezende (PDT), João Parreira (PSDB) e Toninho Garmes (PSDB). É que ela assessorava o ex-secretário de Finanças Raul Gomes Duarte Neto, exonerado do cargo após o escândalo das fitas. Duarte foi gravado por Parreira. Nos diálogos, ele insinua que haveria esquema de propina na prefeitura.

Mesmo na condição de servidora de carreira há 30 anos, os vereadores da oposição avaliam que, por questão ética, o prefeito Nilson Costa (PTB) não deveria ter mantido Maria Inês na função de secretária. “Ela foi diretamente ligada ao Raul. Pessoa de extrema confiança do ex-secretário. E numa mudança traumática como a que ocorreu na secretaria, seria natural que a alteração fosse total na pasta”, opina Clemente.

O parlamentar diz que não consegue entender os motivos que levaram a administração a manter a secretária no cargo. “É difícil imaginar o que se passa na cabeça do prefeito neste momento. Ele teve a oportunidade de virar a mesa, de dar um outro rumo a seu governo, que é sofrível.”

Para o pedetista, o governo municipal teve a chance de se recuperar nesses últimos meses de ação. “Mantendo secretários no cargo, como a Maria Inês, ele não altera nada. A administração vai continuar no mesmo ritmo, ou seja, uma gestão que deixa a desejar, nada comprometida com a população”, comenta.

O vereador Toninho Garmes reforça o posicionamento do colega de plenário. “Não alterou nada. A linha é a mesma. É a continuidade do trabalho nebuloso. Nós, parlamentares, não temos acesso às informações. Nossa capacidade de fiscalizar fica diluída porque se pede informações e documentos que não são enviados. É uma continuidade da incompetência”, resume.

Na avaliação dele, se o comando do governo não exige competência nos seus mais diversos setores, a tendência é a instalação de uma situação de caos. “Para quem acompanha os acontecimentos em Bauru, todos que atuam nesse governo são estranhos. Será que a cidade é tão pobre de quadros que poderiam ser nomeados para esses cargos? É estranha essa questão de interinidade e de renomeações de secretários. É fim de feira”, compara.

"Foi um acordo"

Já o vereador João Parreira, responsável pelas gravações dos diálogos que manteve com Duarte, não tem dúvidas de que a exoneração do ex-secretário de Finanças não passou de um acordo com a administração municipal.

“Na verdade, o Raul continua influenciando na Finanças. Ele não abriu mão do poder que ele tinha de influenciar. Com a Maria Inês no cargo, é como se o Raul tivesse lá. A saída dele não passou de um acordo entre os grupos que influenciam a administração Nilson Costa”, diz o tucano.

Mas Parreira entende que o prefeito não tinha outra alternativa para acertar o primeiro escalão. “O Nilson não encontra, à exceção do pessoal que está com ele, alguém que queira participar da administração. É um governo completamente divorciado da população.”

A secretária de Finaças, Maria Inês Sander, não retornou ligação para comentar o assunto.

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'O cargo é do prefeito'

O chefe de Gabinete da Prefeitura, Antonio Sérgio Marsola, confirmou ontem que a servidora de carreira Maria Inês Sander vai ser mantida no cargo de secretária municipal de Finanças.

“O Raul está fora da administração. Ele não tem nenhuma influência, nenhuma decisão no comando da secretaria ou de qualquer outro setor da prefeitura”, garante.

Marsola elogia as qualidades profissionais de Maria Inês e lembra que ela é funcionária há 30 anos. “A Maria Inês foi diretora da Secretaria de Finanças muito antes do Raul. Ela é muito anterior a ele. Não se pode cogitar que o Raul tenha qualquer interferência. Ele está fora da administração”, reforça.

Para o chefe de Gabinete, a servidora é competente e respeitada entre os colegas. “Tem toda capacidade para responder pela secretaria sem consultar ninguém. Vejo essa manifestação dos vereadores meramente como uma retaliação política.”

Marsola afirma que a secretária vai permanecer no comando da secretaria. “O cargo é de livre nomeação do prefeito. Ele não pode seguir a vontade dos vereadores. Se o prefeito confia na funcionária de carreira que está aí há tantos anos, é porque ele confia nela.”