Os bancários de Bauru e região não são obrigados a pagar a contribuição sindical desde 1992, quando o sindicato obteve uma vitória inédita da categoria no País. “Nós ganhamos uma decisão na Justiça proibindo a cobrança desse imposto. Foi uma opção política do sindicato, na medida em que ele sempre defendeu autonomia e liberdade sindical”, afirma o diretor Marcos Silvestre.
Com uma receita mensal de cerca de R$ 35 mil, o sindicato dos bancários consegue se manter apenas com as mensalidades dos sócios - dos 2,5 mil trabalhadores da base, 80% são sindicalizados. “A gente defende que os sindicatos devem ter trabalho de base, tem de discutir com os trabalhadores as formas de sustentação e de luta. Não é o Estado que deve intervir nisso”, diz Silvestre.
Para o sindicalista, a defesa acirrada da continuidade das cobranças compulsórias - lideradas pelas centrais sindicais - reflete uma “opção política de abandonar a luta”. “A maioria dos sindicatos vive de taxas que são compulsórias ou que, quando aprovadas em assembléias ou fóruns das categorias, não foram amplamente convocados”, declara.
Silvestre também aponta a atual tendência dos sindicatos de se transformarem em “clubes” ou prestadores de serviços. “Isso é a morte do movimento sindical”, afirma. E acrescenta: “O trabalhador tem que ganhar bem para poder se associar ao clube que quiser ou ir à festa que quiser”.