Quem entra no Monza 1995 do bauruense Anesio Cavalieri logo percebe não se tratar de um veículo comum. Isso porque ele resolveu expressar no automóvel que utiliza na labuta do dia-a-dia toda sua paixão pelo Esporte Clube Noroeste. E a forma encontrada para demonstrá-la foi modificando quase toda a decoração interna do carro.
Em vez dos sóbrios e sérios tons pretos originais de fábrica, o taxista adaptou os vivos e chamativos vermelho e branco - as cores tradicionais do Norusca, apelido carinhoso da agremiação local -, em várias partes do Monza.
Cavalieri explica que resolveu expressar o amor pelo Noroeste, iniciado há vários anos, também como uma forma de realizar um sonho de infância. “Quando era criança, via os carros com bancos coloridos e ficava encantado e louco para ter um igual”, afirma. A mescla das cores pode ser vista, principalmente, nos bancos dianteiros e traseiros, que ganharam tecido de corvim, uma imitação do couro.
Já os encostos de cabeça, os papelões de porta e o volante tornaram-se monocromáticos. Enquanto os primeiros ganharam a coloração branca, nos dois últimos o taxista resolveu “brindá-los” com o vermelho. Detalhe: apenas a direção não recebeu o corvim. Para personalizá-la no tom desejado, Cavalieri colocou uma capa de borracha com bolinhas que propiciam maior aderência, um acessório comercializado por camelôs.
Entretanto, a personalização, realizada no ano passado ao custo de R$ 500,00 ao taxista, pára por aí. Pode parecer pouco para alguém que se diz fã de um time, mas Cavalieri revela que o “Monzão” já foi muito mais enfeitado em homenagem ao Noroeste. “Ele tinha frisos vermelhos nas laterais e na dianteira e olho de gato nas portas, além de taxímetro vermelho e branco. Parecia um circo”, brinca.
Mas qual a razão de atualmente tais acessórios não estarem mais presentes no automóvel? Cavalieri conta que os retirou por um bom motivo: medo da violência urbana. “Carro que chama demais a atenção pode ser perigoso. Fiquei com receio de continuar com ele do jeito que era, pois tinha medo de ser assaltado ou roubado”, enfatiza.
Entretanto, mesmo com metade do “tuning” presente, o carro do taxista ainda faz sucesso e é alvo das mais variadas brincadeiras por onde roda. “São raras as vezes em que não sou chamado de são-paulino ou noroestino”, afirma Cavalieri. “Mas sou Noroeste de coração”, emenda ele, com orgulho.
Outra prova de que o carro freqüentemente é o centro das atenções é um episódio relatado pelo taxista, na profissão há 27 anos. “Estacionei-o e, quando voltava depois de um tempo, vi de longe uma multidão olhando dentro do automóvel. Pensei que algo ruim tivesse ocorrido ali por perto, mas ao chegar no Monza descobri que era apenas um monte de curiosos”, recorda Cavalieri.
O fato de andar com um veículo “fantasiado” também nunca foi problema para os passageiros do taxista. Ele garante. “Ninguém dispensou uma corrida comigo só porque o carro era meio diferente”, frisa. E complementa: “Se alguém não gostou, pelo menos não falou nada a respeito.”
Mesmo satisfeito com o visual do “Monzão” e considerando-se noroestino fanático, o taxista deixa escapar que pretende modificar o design interno do carro. A intenção, desta vez, é substituir o vermelho pelo verde para evidenciar outra paixão: o Palmeiras. “Vou fazer isso assim que melhorar de grana”, promete Cavalieri. “Só não dá para deixar um banco de cada cor, porque senão vai parecer um arco-íris”, ri ele.
Apesar disso, ele destaca que o carinho pelo Noroeste não vai diminuir e vai além confiando na classificação à Série A2 (Segunda Divisão) do Campeonato Paulista. “Acredito no Norusca. O time tem problemas, mas quem não tem?”, questiona. E acrescenta: “O bauruense deve prestigiar mais, comparecendo em massa aos jogos. Tem muita gente que bate no peito e fala que é noroestino, mas nunca vai ao campo”, critica.
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Perfil
Nome: Anesio Cavalieri
Idade: 57 anos
Profissão: Taxista
Time do coração: Palmeiras
Cor preferida: Verde e branca
Lugar bonito que já conheceu: Serra Negra (SP)
Que passageiro o senhor não levaria nem pagando? “O ACM (Antonio Carlos Magalhães).”
Qual passageiro o senhor faria questão de levar até de graça? “O padre Marcelo Rossi. É um cara bom.”
O que mais lhe irrita no trânsito bauruense? “A desatenção dos motoristas e a buraqueira das ruas. Para mim, 90% dos condutores locais não dirigem, e sim apenas guiam um veículo. É muito ruim andar aqui.”
Que nota o senhor daria aos motoristas de Bauru? “Três, no máximo.”