09 de julho de 2026
Articulistas

Revisão necessária


| Tempo de leitura: 2 min

“Tendes olhos e não vedes, ouvidos e não ouvis”, adverte o Evangelho de Marcos (8, 18) aos homens de todos os tempos como que os incumbindo de verificar sempre de onde vieram e para onde irão enquanto pessoas que transportam avidamente na sua cultura o pluralismo ou o antipluralismo orientador das facetas do mundo. O discurso doutrinal da Igreja Católica, evocado no Vaticano II, lembra a palavra do notável apóstolo, a qual, no entanto, todos os povos ainda não entenderam e assimilaram totalmente, motivo pelo qual vão deixando para o futuro incógnito a sua imprescindível adoção e aplicação em sua interrogável existência. Mas não poderiam manter-se assim estáticos e absortos aferrados a um estilo de sociedade ferida por guerras e outras violências e, então, flagelada por um sistema social totalitário e abusivo que desde priscas eras vai teimando em impor sua falsa ideologia, inteiramente contrária ao bem do homem e à sua indispensável dignidade.

Conforme o pensamento de João Paulo II o rumo que a sociedade contemporânea vai assumindo reclama uma revisão que não pode demorar, a benefício da vida que é mais importante que as culturas étnicas, mais que o poder estatal, mais que o dinheiro, mais que as castas, mais significativa, enfim, que os interesses dos territórios que se encontram em litígio em inúmeras partes do planeta, assim como o famigerado petróleo que penaliza a economia de todos. Já seu antecessor, Beato João XXIII, colocara-se inteiramente contra esse prisma, sugerindo “para que um novo caminho social, em que todos precisam tornar-se parceiros e protagonistas, fiéis à fidelidade da cidadania, seja embasado em autênticas e indissolúveis preocupações com a verdade, a justiça, o amor e a liberdade, fatores primordiais reclamados pelo mundo de hoje, enquanto a Campanha da Fraternidade aí está patenteando a importância que o Estado precisa dar aos cuidados com os cidadãos, especialmente com os idosos. Não é sem propósito, então, que se exija dos poderes públicos empenho no sentido de uma reformulação da sociedade, vendo, revendo e atendendo os direitos constitucionais de todos os brasileiros, brancos e negros, ambos os sexos e todas as idades. É indispensável ir-se em frente e não voltar-se para a anacrônica aldeia onde brotaram e cresceram ideologias e costumes ainda hoje regentes, aplaudidos por poucos e deplorados por muitos. Não se tenham olhos cegos e ouvidos obstruídos, como defende o evangelista. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

“Nunca se deve sentir incapaz de pensar, estudar e aprender, sejam quais forem as circunstâncias, diz o decálogo da desobsessão”.