08 de julho de 2026
Regional

Cadeia vai abrigar central da polícia

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú - O prédio onde funcionava a Cadeia Pública de Jaú (47 quilômetros a Leste de Bauru), desativada definitivamente ontem pela manhã, deverá abrigar parte dos órgãos que integrarão a central da Polícia Civil no Centro da cidade. De acordo com o delegado seccional de Jaú, Benedito Antônio Valencise, as instalações serão adaptadas para o funcionamento do Plantão Policial e da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise), além de outra seção para o atendimento da população.

Na mesma quadra, já estão instaladas a Delegacia Seccional, o 1º Distrito Policial, o Instituto Médico Legal (IML), a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e a Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran). Valencise aponta que o prédio será adequado para receber o Plantão, que atualmente funciona precariamente em local menor.

“Vamos otimizá-lo para possibilitar uma melhor recepção do público e dos policiais no exercício de suas funções. Outra parte será utilizada para expedição de documentos e carteiras de identidade, que precisa de um atendimento digno, e o restante será para as futuras instalações da Dise. Vamos reunir o coração da Polícia Civil nesta área”, aponta o delegado seccional.

O prefeito João Sanzovo Neto (PSDB) ressalta que a adequação da cadeia será realizada em parceria com o Governo do Estado, assim como foi a construção do Centro de Ressocialização (CR) de Jaú, para onde aproximadamente 70% dos presos foram transferidos. Ontem, os últimos 47 homens que ainda estavam na unidade foram encaminhados para os presídios de Igaraçu do Tietê e Barra Bonita.

“A prefeitura paga aluguel de outros imóveis onde funcionam os órgãos que serão transferidos para o prédio da cadeia. Novamente, a parceria com o Estado vai possibilitar um melhor atendimento à população. Foi assim também quando assinamos o convênio para que o CR viesse para Jaú”, diz o prefeito.

O CR foi inaugurado em novembro do ano passado e tem capacidade para 210 detentos. Atualmente, 198 homens estão internados na unidade, que abriga principalmente presos de baixa periculosidade de regime fechado, semi-aberto e provisório de Jaú e região. Com sua instalação, diversas entidades da cidade uniram forças para que a Cadeia Pública fosse desativada, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Pastoral Carcerária da Igreja Católica e os clubes de serviço, entre outras.

Para Sanzovo Neto, a desativação da cadeia é a realização de um sonho da população, que já assistiu a diversos tumultos e fugas de presos nas últimas décadas. “Se uma rebelião viesse a ocorrer, como ocorreu no passado, a segurança da cidade estaria em risco. Vencemos as resistências trazendo o CR para Jaú e fechamos este processo hoje (ontem) com a desativação, um marco na história do município”, declara o prefeito.

____________________

Cenário de horror

O prédio da Cadeia Pública de Jaú foi construído em 1939 e abrigava presos há mais de cinco décadas. São dez celas iluminadas pelo sol que invade o pátio interno, além de uma solitária para aqueles que não se enquadravam nas regras da unidade - ou nas regras dos próprios detentos. Projetada para receber até 40 homens, a lotação chegou a atingir 190 presos em diversos momentos de história do prédio, que teve sua principal página virada ontem.

Pelo chão, os pertences dos presos, deixados para serem resgatados por seus familiares, acumulam-se lado a lado com lixo, embalagens de comida, garrafas de refrigerante, colchões e revistas velhas. Nas celas, imagens de Cristo e Nossa Senhora dividem as paredes com salmos, frases de revolta e fotos de Luma de Oliveira e Luciana Vendramini, formando um quebra-cabeça estranhamente montado e coerente.

Vazio, o cenário é de desolação. As celas abertas ainda guardam décadas de histórias, e nas próximas semanas, a Delegacia Seccional deverá liberar o prédio para visitação pública.