26 de maio de 2026
Saúde

Cirurgia tem momento certo

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

De acordo com o oftalmologia Ricardo Viegas Berriel, nem todos os casos de estrabismo exigem um procedimento cirúrgico para ser corrigidos. No entanto, quando a cirurgia é indicada, existe um momento adequado para sua realização, que precisa ser respeitado.

Quando o desvio é causado por acomodação, o eixo pode ser corrigido simplesmente com o uso de óculos. Ele cita o exemplo da menina Rafaela de Moraes Teixeira, 7 anos.

“O estrabismo dela é provocado por um alto grau de hipermetropia (5,75). O distúrbio causa distorções no foco, então, o cérebro escolhe o olho que está melhor para focar e anula a imagem do outro, num estímulo de acomodação. Quando ela coloca os óculos e corrige a hipermetropia, os olhos ficam alinhados”, explica.

A mãe da menina, Rosilda Aparecida de Moraes, conta que percebeu o problema em fotos, quando a filha tinha 7 meses. “Ela usou tampão por três meses e parou. Nessa fase foi difícil, porque o tampão era grudado na pele e ela tirava. Depois ela colocou óculos e o tampão ficava na lente. Aí ela usou sem problemas, fazendo exercícios simultaneamente”, afirma.

Hoje, Rafaela mostra consciência de que precisa dos óculos. “Ela levanta da cama e já pega o óculos. Ela usa para tudo, ninguém precisa mandar”, garante a mãe. O pai, Oski Hermes Teixeira, diz torcer só para que ela não precise realmente fazer cirurgia para corrigir o alinhamento. “Talvez, mais tarde, ela deva fazer uma cirurgia para corrigir a hipermetropia, só que aí, o procedimento é bem mais simples”, ressalta.

Berriel e o oftalmologista Marco Antonio Busch salientam que muitos distúrbios visuais podem ser corrigidos por cirurgias atualmente. Mas eles reforçam que existe um momento adequado para cada procedimento e isso varia de pessoa para pessoa.

“Mesmo os erros de refração - miopia, astigmatismo, hipermetropia e presbiopia. Você corrige com óculos na infância. A partir dos 13 anos pode optar pela adaptação das lentes de contato. A cirurgia só é indicada para pacientes que já tenham seu desenvolvimento concluído e suas alterações estabilizadas. Mesmo assim, não é todo mundo que pode operar”, alerta Berriel.

“As pessoas precisam estar conscientes de que a meta da cirurgia é atingir o ponto zero, mas nem sempre isso é possível. Quem opta pela cirurgia tem que ter em mente a independência dos óculos, mas saber que a correção pode não ser absoluta. Eu mesmo, depois de operado, fiquei com um grau de menos 0,25, mas exerço todas as minhas atividades rotineiras sem precisar de lentes ou óculos”, pondera.