08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Dia do Trabalho


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Foi em Paris, num Congresso Socialista, realizado em 1889 que a idéia do 1 de maio surgiu, como forma de homenagear os trabalhadores norte-americanos, da cidade de Chicago que, três anos antes, haviam promovido uma greve geral para protestarem contra as péssimas condições trabalhistas vigentes à época. A resposta da classe empresarial veio logo, em forma de dura repressão policial: operários foram presos, feridos e mortos.

Desde então, a cada ano, dedica-se este dia aos trabalhadores de todos os países do mundo. Mas, pergunta-se: há, realmente, o que ser comemorado?

Sem dúvida, num breve passeio pela nossa memória, encontraremos fatos que demonstram que os trabalhadores, ao longo destes anos, obtiveram ganhos em vários aspectos, o que não quer dizer, de forma alguma, que atingiram o ideal almejado.

Em se tratando de Brasil, deparamo-nos com uma triste realidade, onde jamais se viu taxas de desemprego tão altas com perspectivas pouco animadoras. Este fato tem propiciado o crescimento descomunal da economia informal, pois hordas de brasileiros têm encontrado nesta forma de trabalho o sustento para si e seus familiares, perdendo, entretanto, os diretos trabalhistas aos quais teria acesso se laborassem com ‘carteira assinada’.

Tal situação remete-nos a um outro problema, ainda mais grave e preocupante: o trabalho infantil. A despeito de a Constituição Federal e do Estatuto da Criança e do Adolescente proibirem-no existem, atualmente, 2,9 milhões de crianças entre 5 e 14 anos trabalhando nas mais diversas áreas, às vezes sem qualquer remuneração.

Este problema advém da necessidade premente de algumas famílias de tirarem seus filhos da escola para que os mesmos trabalhem ou mendiguem pelas ruas a fim de colaborarem com a economia doméstica.

Por caminhos tortuosos, chegamos a uma nova armadilha da contemporaneidade: a da inclusão social anômala! Se tantas crianças estão fora de escola, como e quando terão elas acesso à educação, ao conhecimento, à cultura, ao saber erudito instrumentalizando-se para tentar transformar a realidade? Como poderão elas lutar e reivindicar seus direitos civis e trabalhistas, se mal puderam conhecê-los para compreendê-los?

Vamos lá, minha gente! Trabalhadores do Brasil! Mais um 10 de maio chegou! Vamos comemorar! Mas, comemorar exatamente o quê? (Isabel Cristina Miziara - RG 13.914.006)