11 de julho de 2026
Política

Para cientista política, mensagem dos filmes não chega a todos adolescentes

Diego Molina
| Tempo de leitura: 1 min

A cientista política Maria Tereza Kerbauy analisa que os três filmes da campanha “Fala sério, vota” não tem o potencial de atingir a juventude brasileira em sua totalidade. “No meu entendimento, a propaganda trabalha com determinados valores e comportamentos que não atingem todos os jovens, especialmente os adolescentes de classe baixa. A campanha trabalha apenas com valores da classe média, mas estes provavelmente não vão achar a propaganda adequada por conta de seus estereótipos”, afirma.

De acordo com Kerbauy, a idéia de escolha transmitida pelos filmes está centrada no consumo. Ela observa que na situação da menina e do pai com o carro velho, especialmente, o ideal de troca do antigo pelo moderno é um estereótipo da juventude. “Mostra que os jovens estariam sempre trocando algo que não lhes convêm para dar a sensação de posse, de ter algo que chama a atenção.”

Para a cientista política, o Brasil sofre de uma falta de políticas públicas voltadas especialmente para a juventude, como ocorre em países da Europa, onde há secretarias e ministérios especialmente criados com este propósito. “É difícil você pensar na valorização do voto sem saber qual é o perfil da juventude, não só da classe média mas dos jovens das camadas populares, que não são apenas excluídos da publicidade, como do mercado de trabalho e da sociedade como um todo”, conclui.