10 de julho de 2026
Política

Lembo prefere discrição ao 'vedetismo'

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

O vice-governador do Estado de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), defende que a função deve ser exercida com discrição. “Eu diria que vice tem que ser alguém absolutamente reservado. Não é função para se fazer estrionismo, vedetismo. Deve prevalecer o equilíbrio”, opina.

Mas na sua avaliação, porém, a discrição não significa imobilidade e inoperância frente à administração do Estado. “É preciso ser prestativo para ajudar o titular do cargo a gerenciar o Estado, no meu caso, o governador Geraldo Alckmin.”

Lembo é o responsável pela comissão que avalia a privatização das empresas do governo e pelo Projeto de Parceria Público-Privado (PPP). Também colabora nos estudos e projetos que envolvem a questão previdenciária do funcionalismo público estadual.

“De acordo com os preceitos constitucionais, o vice deve auxiliar o titular do cargo. Mesmo sendo de partido diferente, o vice tem que ter o sentido republicano e trabalhar para o bem do município, do Estado e do País”, observa.

Na opinião de Lembo, sua relação com Alckmin “é perfeita”, sem risco de colisões que possam provocar estragos políticos. “O vice tem que saber seu lugar. Ser equilibrado, silencioso e dar efetivamente seu apoio ao governo.”

Para ele, o vice que não se enquadra na discrição provavelmente vai gerar polêmica. “Com isso, vai prestar um desserviço à sociedade. E você é eleito em chapa para prestar serviço à sociedade”, comenta.

Lembo defende que um vice só deve expor suas críticas quando de fato assumir o lugar do titular. “Aí assim você terá condições para dizer o que pensa. Mas enquanto vice, tem que respeitar o cargo do titular”.

Exposição

No contraponto do perfil de Lembo está o vice-presidente da República, José Alencar (PL/MG). Após alguns meses da posse, Alencar chamou a atenção da imprensa para as críticas abertas que começou a direcionar ao governo comandado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Por diversas vezes, o vice-presidente cobrou Lula, em entrevistas coletivas, a diminuir os juros para alavancar a economia. Provocou constrangimentos ao presidente e sua equipe econômica.

Oposto a esse comportamento, o ex-vice-presidente da República, Marco Maciel, passou despercebido no governo de Fernando Henrique Cardoso. Discreto e reservado, Maciel não apareceu na mídia nem mesmo quando ocupou 85 vezes a cadeira mais importante do Palácio do Planalto, totalizando 339 dias no comando do País.