Na última sexta-feira comemorou-se os 150 anos de implantação do transporte ferroviário no Brasil. A data é muito significativa para Bauru, que cresceu em torno dos trilhos e se tornou um dos principais entroncamentos da América Latina. A primeira estrada de ferro, a Sorocabana, inaugurou em 1905 um trecho de 129 quilômetros entre Botucatu e Bauru.
Em 1906, a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) implantou seus trilhos na cidade. “Bauru era, naqueles tempos, um verdadeiro formigueiro humano. O trabalho em torno das obras da Noroeste era incessante. Haviam engenheiros, técnicos e operários vindos de todos os pontos do território nacional”, recorda o jornalista e historiador Luciano Dias Pires.
“A NOB foi a única empresa que foi empreiteira e empreendedora o mesmo tempo porque ela entrava no sertão provocando a destruição das matas e a própria dizimação da população indígena que se encontrava em Bauru”, ressalta Roberto Chinalha, diretor de museu e memórias da Secretaria Municipal da Cultura (SMC).
A Cia. Paulista de Estradas de Ferro (que depois se transformou na Ferrovia Paulista S.A., a Fepasa), foi implantada em 1910, reforçando a fase de desenvolvimento em Bauru. “Junto com as ferrovias, chegavam diversos pessoas que, além da experiência profissional, trouxeram conhecimento e cultura. Entre eles, Machado de Melo, Sylvio Saint Martin e Oscar Guimarães”, aponta Luciano.
Na década de 50, as ferrovias entraram em um processo de decadência em função do grande investimento nas rodovias, que passaram a atender os acordos feitos entre o Brasil e os Estados Unidos após o término da 2.ª Guerra Mundial.
Nos anos 60, a Sorocabana e a Paulista foram estatizadas. Aproximadamente 12 ferrovias que não foram extintas - incluindo a NOB - se uniram e formaram, em 1957, a Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA), empresa estatal que tinha como sócio majoritário o Governo Federal. Ela funcionou até 1999, quando entrou em um processo de privatização e liquidação de seus bens.