08 de julho de 2026
Saúde

Problemas de visão - Até a reversão pode ser possível

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

A idéia de que é possível driblar alterações visuais com o auxílio de óculos e lentes de contato já é bastante difundida. O que boa parte das pessoas desconhece é que alguns problemas de visão podem regredir ou mesmo ser revertidos quando se tem um diagnóstico precoce e um tratamento adequado. Muitas vezes, nem é preciso fazer uma cirurgia.

Segundo especialistas, até há bem pouco tempo, a maioria dos distúrbios de visão só era identificada quando a criança atingia a idade escolar. A comparação com os colegas, a dificuldade para copiar a matéria da lousa, dores de cabeça freqüentes e atraso na aprendizagem é que levavam pais e professores a suspeitar do problema.

Estudos mais aprofundados do desenvolvimento humano, porém, mostraram que pequenas intervenções feitas no momento certo podem reverter completamente alterações que, a curto, médio ou longo prazos, seriam irremediavelmente danosas à acuidade visual do indivíduo.

Um exemplo disso é o estrabismo (olhos tortos, vesgos). De acordo com os oftalmologistas Ricardo Viegas Berriel e Marco Antonio Busch, identificado e tratado adequadamente na primeira infância, ele pode ser totalmente revertido.

Passado esse período, porém, a única coisa que o especialista poderá fazer é a correção estética. O prejuízo à capacidade visual já estará instalado e será permanente.

Felizmente, os avanços da medicina têm tornado a identificação destes problemas cada vez mais precoce. Hoje já se sabe que a prevenção começa no planejamento da gravidez. Mulheres em idade fértil devem ser periodicamente vacinadas contra a rubéola. “A rubéola contraída pela mãe no primeiro trimestre de gestação é a causa mais freqüente de catarata congênita”, explica Berriel.

Além da rubéola, várias outras alterações e patologias ocorridas durante a gestação podem causar cegueira no bebê. Por isso, concretizada a gravidez, é importante que a mulher faça um acompanhamento pré-natal regular e adequado. Isso permite interceptar e minimizar riscos.

Outra medida que vem sendo adotada por maternidades de todo o País é o “teste do olhinho”. A Sociedade Brasileira de Pediatria e a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica defendem que o teste deveria ser feito rotineiramente por todos os médicos neonatologistas, ainda na sala de parto.

O exame permite identificar um conjunto de doenças oculares que, se não forem tratadas logo após o nascimento, podem levar à cegueira.

É o caso da retinopatia da prematuridade. Segundo a Agência Brasil, cerca de 30% dos bebês que nascem com menos de 40 semanas ainda não têm os vasos sangüíneos da retina bem formados. A retina é a estrutura ocular responsável por captar a imagem e enviá-la ao cérebro. A retinopatia da prematuridade é a principal causa da cegueira infantil na América Latina.

Outros distúrbios que podem ser identificados pelo teste do olhinho são a catarata e o glaucoma congênitos. Ambos podem ser corrigidos cirurgicamente, mas o procedimento precisa ser feito nos primeiros dias após o nascimento. Do contrário, as duas patologias evoluem para cegueira.

As sociedades de pediatria e oftalmologia pediátrica defendem que o Ministério da Saúde torne a realização do teste do olhinho obrigatória - como ocorre com o teste do pezinho. Por enquanto só os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro têm leis que obrigam à realização do exame.

Alterações visuais podem aparecer durante toda a vida. Especialistas citam os mais freqüentes e orientam sobre prevenção e diagnóstico precoce. Em saúde, quanto mais cedo um problema é tratado, melhores são os resultados.