O anúncio do reajuste do salário-mínimo em R$ 20,00 (de R$ 240,00 para R$ 260,00) revela toda dimensão da gestão Lula. O trabalhador, que esperava uma boa notícia desde o dia 1 de abril para poder comemorar o 1º de Maio, está cada vez mais frustrado com o governo Lula. Além de não dar o aumento esperado, o governo do PT confiscou, do minguado salário do trabalhador, 30 dias, já que a data-base para o reajuste do salário-mínimo, há quatro anos, é o 1 de abril. Com essa atitude irresponsável, o Planalto poupou R$ 500 milhões à custa dos trabalhadores de baixa renda, pois o indigno reajuste não será retroativo. Isso é uma agressão ao povo brasileiro e abre um grave precedente.
Para quem afirmou durante 20 anos que o reajuste do salário-mínimo dependia de vontade política - a deles (do governo do PT) -, é de deprimir a renda de quem ganha menos. Descontada a inflação registrada nos últimos 13 meses (IPCA), o reajuste de R$ 20,00, na prática, será de R$ 4,00. Com este dinheiro, o trabalhador que recebe um mínimo, não poderá comprar sequer duas dúzias de ovos.
É mais uma pilastra de sustentação da imagem do presidente Lula que desaba, assim como está sendo a de combate ao desemprego que, ao contrário do salário-mínimo, cresce a cada dia.
Na campanha eleitoral de 2002, o então candidato Lula havia prometido dobrar o valor real do mínimo até o final do seu mandato, mas tudo indica que a intenção petista será transformada em letra morta. Na época, muitos eleitores de baixa renda votaram em Lula acreditando que ele cumpriria a promessa. Mas o presidente “traiu†a população que o elegeu e nem sequer teve a hombridade de explicar porque abandonou sua palavra. Afinal, ser presidente não é fácil como ser candidato.
Há uma frustração campeando, não só entre os trabalhadores que votaram no presidente Lula, mas de modo geral em todos os trabalhadores do Brasil que esperavam um mínimo melhor do atual governo, e uma atuação maior principalmente no que diz respeito ao interesse do trabalhador, afinal, sempre se proclamou ser o PT o “Partido dos Trabalhadoresâ€.
Se o governo realmente quer distribuir renda, precisa se preocupar mais com os menos favorecidos. O salário-mínimo é uma forma importante de promover uma melhora da qualidade de vida dessas pessoas. Pressupõe-se que o aumento do mínimo é o principal instrumento de combate a pobreza, e ele não está sendo usado pelo governo.
A população espera que o governo Lula cumpra seu compromisso e recomponha o poder de compra do salário-mínimo, como manda a Constituição.
Mesmo diante da insensibilidade do governo Lula em relação ao reajuste do mínimo, em que o trabalhador brasileiro não tem muito o que comemorar nesta data, sinto-me no dever de cumprimentar cada cidadão responsável pela construção diária deste abençoado País. (O autor, Pedro Tobias, é deputado estadual e vice-presidente do Diretório Estadual do PSDB)