09 de julho de 2026
Política

Estela interpelará oposição interna

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

A presidente da executiva municipal do PT, Estela Almagro, anunciou ontem, através de uma nota oficial, que vai interpelar na Justiça os membros do grupo “Ética na política”, ala petista formada, em sua maioria, por lideranças sindicalistas e que se qualificam como independentes.

Anteontem, o grupo divulgou documento protocolado na direção estadual do partido na semana passada, no qual pede apuração da instância no episódio que culminou no rompimento do PDT com o PT. Os pedetistas recusaram o nome de Estela e do vereador José Carlos Batata para compor a chapa de Tuga Angerami à Prefeitura de Bauru.

“Assim como procedi com o presidente do PDT (vereador Faria Neto), interpelando-o judicialmente, vejo-me obrigada igualmente a proceder com cada um dos subescritores deste documento estapafúrdio. A Justiça se encarregará de tais infâmias”, diz a nota oficial.

O grupo “Ética na política” quer a abertura de um processo de investigação para levantar as circunstâncias em que o acordo PT/PDT se desfez. Para os sindicalistas, o partido precisa esclarecer os reais motivos que levaram os pedetistas a não aceitarem Estela ou Batata como vice de Tuga.

A dirigente petista, porém, preferiu partir para o ataque ao invés de responder à oposição interna. Ela fez um “apelo” aos membros do grupo, que não constituem o campo majoritário do PT na cidade, responsável pelo comando do partido.

“Disputem o controle do partido de maneira limpa, sem fazer, talvez por equívoco ou estrabismo político e não por maldade, o jogo dos adversários. No próximo ano, teremos eleições internas: fortaleçam-se, qualifiquem sua militância fazendo o debate de idéias, sem rasteira, sem pequenez”, declarou.

“Não se permitam ser ‘marionete’ nas mãos de determinados personagens que têm escrito páginas tristes na história da nossa cidade”, completou, sem citar nomes. A nota segue com a petista exigindo respeito dos militantes de oposição. “Tenho o direito de exigir: como militante, dirigente, mulher e mãe.”

Na avaliação dela, os “companheiros e companheiras” citados no documento ainda não compreenderam a “grandeza” do PT. “Nem a grandeza, nem a importância e muito menos a responsabilidade política que cabe ao PT na conjuntura atual. O bom senso cabe a mim, penso, porque não vejo resquícios sequer de bom senso na prática daqueles que fazem o jogo do adversário. E o que é pior, no nosso campo, no nosso time”, analisou.

Estela, conhecida por suas manifestações polêmicas, desta vez preferiu amenizar sua posição sobre a resistência interna no partido. “Preciso medir minhas palavras. Porque minha responsabilidade é grande com o partido que represento.” Ela lembra que já disputou eleição municipal e foi candidata à Assembléia Legislativa. “Obtive 22 mil votos, o que não me parece pouco.”

A dirigente faz, na nota oficial, citações da família. “Tenho orgulho de ter constituído família ao lado de um homem decente, que para mim é símbolo da combatividade e coerência, com quem tenho dois filhos maravilhosos que só me dão felicidade. Meu partido é como minha família. Amo o PT, acredito no PT, meu primeiro e único partido.”