10 de julho de 2026
Cultura

Sesc exibe ícones do terror no cinema

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

O Serviço Social do Comércio (Sesc) apresenta gratuitamente este mês uma série de filmes de terror, considerados os precursores do gênero no cinema. O primeiro da lista, o célebre “Nosferatu”, será apresentado hoje, às 20h, na praça do clube. Denominado “Um Antigo Terror”, o projeto traz boas opções em sua programação. Na próxima terça-feira, o clube mostra “Drácula”. No dia 18, será a vez de “Frankstein” e no dia 25, “O Gabinete do Dr. Caligari”.

Hoje, durante a abertura do evento, Roberto Daniel, o padre Beto, que é especialista em cinema alemão, realizará uma palestra abordando os recursos técnicos utilizados pelos filmes de terror. “Hoje há muito diálogo nas telas e o que caracteriza o expressionismo alemão é a imagem em si. Os artistas do expressionismo contribuíram para a construção da cenografia e de toda a parte estética do cinema”, diz.

“Vou falar também sobre figura do Drácula, que é americano, e do Nosferatu, que é um Drácula alemão. Ambos têm uma evolução interessante no cinema”, completa o padre Beto. Ele ressalta a importância de ser trabalhar com expressões que não estejam ligadas apenas à estética americana. “É bom ter contato com percepções de outros países, como os filmes alemães, europeus, asiáticos, italianos e franceses. São formas diferentes de se perceber o mundo e o ser humano”, observa.

Os vampiros são elementos de destaque na programação do Sesc. Autêntico exemplar do expressionismo alemão (que ressalta a imagem na produções), o filme “Nosferatu” é a primeira versão da clássica história do conde Drácula no cinema. Recheado de efeitos visuais e trilhas sonoras maniqueístas, o filme é classificado como uma das grandes produções do gênero terror.

Dirigido em 1922 por Friedrich Wilhelm Murnau - que também produziu os clássicos “Aurora” e “A Última Gargalhada” - “Nosferatu” conta a história de um vampiro dos Montes Cárpatos que decide se mudar para Bremen, Alemanha, espalhando o terror na região. O longa já foi refilmado duas vezes, em “Nosferatu - O Vampiro da Noite” (1978) e “Drácula de Bram Stoker” (1992).

A primeira versão de “Drácula”, dirigido em 1931 por Tod Browning, retrata uma das mais estranhas e perigosas histórias de amor de todos os tempos. A trama começa quando o conde Drácula (o ator Bela Lugosi) resolve deixar seu castelo, na Transilvânia, e se mudar para Londres, onde ele se apaixona pela bela Mina e decide transformá-la em morta-viva, como ele.

Criado há mais de um século, o Drácula continua sendo um dos personagens mais envolventes em se tratando de sétima arte. Para o padre Beto, além da estética cinematográfica, a figura do vampiro pode trazer à tona alguns traços da própria personalidade humana.

“Ele toca na sombra, no lado mais negro do homem. Os vampiros são personificações de figuras que no fundo existem dentro de nós mesmos. Por exemplo, podemos analisar a figura do Drácula, que se apaixona e suga a vida de outra pessoa, e um relacionamento de amor onde um suga o prazer ou a presença do outro”, explica o padre Beto.

• Serviço

Palestra sobre estética dos filmes de terror e exibição de “Nosferatu” hoje, a partir das 19h, na praça do Sesc. A entrada é gratuita. Avenida Aureliano Cardia, 6-71. Informações: (14) 3235-1750.