09 de julho de 2026
Bairros

Mãe desiste de greve de fome em 21h

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Durou 21 horas a greve de fome realizada pela dona de casa Luzia Aparecida Francisca. O advogado dela, Alexandre Luís Marques, conseguiu convencê-la a abandonar a idéia de ficar sem comer até que o poder público libere os medicamentos necessários para o tratamento de seu filho paraplégico de 22 anos.

Dos argumentos usados por ele, os mais eficazes estavam dentro de uma sacola: um remédio para um rim e outro para as escaras (feridas provocadas pela falta de circulação). Às 14h30 de ontem, ela abandonou a frente da Câmara Municipal.

“Resolvi acatar o apelo. Ele gastou R$ 85,00 com os medicamentos (suficientes para uma semana). Além disso, paga a conta do meu telefone e não cobrou para fazer a ação contra a Secretaria Municipal de Saúde”, diz Luzia.

Por meio de uma ação protocolada por Marques, no início do mês passado a Justiça determinou que a prefeitura garanta ao filho dela fraldas, medicamentos e material curativo. No entanto, até ontem, a administração ainda providenciava a aquisição do material.

O secretário municipal da Saúde, Hanna Saab, havia sido informado anteontem de que os remédios solicitados na ação não são vendidos em Bauru, embora o advogado tenha comprado dois deles numa farmácia da cidade.

“Conversei com ela e disse que até sexta-feira o material está na casa dela”, informa Saab. O contato pessoal também contribuiu para que Luzia desistisse da greve de fome.

Outras razões

“A palavra de um homem tem de valer. Ele (Saab) não pode brincar com uma pessoa que está indefesa na cama. Se os remédios não chegarem até segunda, vou atrás dele”, ameaça ela. O irmão de Luzia também insistiu para encerrar a greve.

“Foi como o advogado falou, se ela continuasse, teríamos dois problemas. Ela poderia passar mal. Ameacei entrar em greve de fome também”, comenta Luiz Rael Aparecido, que passou a noite com o filho dela, Leandro Aparecido de Paula.

O rapaz, mesmo com a saúde debilitada pela falta dos medicamentos (pode estar com início de infecção urinária e água no joelho), também levantou a hipótese de ficar sem comer, assim como populares desconhecidos.

“O que me chamou a atenção foi a solidariedade das pessoas que não enfrentam o mesmo problema e dos jovens. Alguns queriam passar a noite aqui comigo”, explica Luzia. Logo que amanheceu, o proprietário de um bar em frente à Câmara levou café preto, consumido por ela após muita insistência.

Durante a madrugada, ela recebeu outras manifestações de apoio, mas registrou um boletim de ocorrência para preservação de direito. “Agora vou para casa tomar a sopa do meu irmão”, finaliza ao deixar a frente do Legislativo, que nem percebeu a sua presença. Apenas a vereadora Majô Jandreice (PC do B) a procurou.

Em contrapartida, mesmo durante a reportagem, várias pessoas demonstravam preocupação com ela e com o filho, que foi baleado em março de 2000. Um dos tiros atingiu a medula, outro um rim e o terceiro, o olho esquerdo.