09 de julho de 2026
Geral

Cetesb: água do subsolo é boa, mas é necessário economizar

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 5 min

Um estudo feito pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) apontou que as águas subterrâneas do Estado de São Paulo, inclusive a coletada em um poço profundo em Bauru, mantêm boa qualidade para o consumo humano. Porém, como se trata de reserva hidrológica e 72% dos 645 municípios do Estado já utilizam essa água, o que aumenta o risco de contaminação, Cláudio Luiz Dias, gerente do setor de Solos e Águas Subterrâneas da Cetesb, diz que o ideal seria recorrer mais a fontes superficiais, como rios e lagos, e ao aquífero Bauru, menos profundo que o Guarani.

Hoje, o presidente da Cetesb, Rubens Lara, visitará a agência do órgão em Bauru e vai receber a imprensa para comentar o estudo sobre águas subterrâneas do Estado, que é feito a cada três anos. Atualmente, 58% da cidade de Bauru recebem águas subterrâneas - os outros 42% são abastecidos pelo rio Batalha. As águas subterrâneas representam 98,5% de toda água doce do Planeta (veja quadro acima).

Dos 28 poços em atividade no município de Bauru, 26 retiram água do aquífero Guarani e apenas dois do aquífero Bauru, segundo Sandra Faria, assessora de imprensa do Departamento de Água e Esgoto (DAE). Para Dias, o aquífero Bauru, cujas águas são acessíveis a partir de 30 metros de profundidade da superfície do solo, poderia ser mais explorado.

“A recarga do aquífero Bauru é mais rápida, mais direta. A água do aquífero Guarani é muito antiga - tem de 30 mil a 4 mil anos. Para abastecer cidades, poderia ser usado mais o (aquífero) Bauru, que também tem água de boa qualidade”, diz.

O DAE, informa a assessoria de imprensa, tem apenas dois poços no aquífero Bauru porque a vazão é muito inferior aos do localizados no Guarani. “A vazão é muito menor, só é viável em locais como no distrito de Tibiriçá, onde o consumo de água é pequeno”, diz Sandra. O aquífero Bauru se estende de norte a sul do Estado de São Paulo, ocupando 42% das terras paulistas, de acordo com a Cetesb.

Na opinião de Dias, o problema não é a baixa vazão do aquífero Bauru, mas o consumo excessivo por parte da população. “Precisamos de uma mudança dessa realidade, partindo-se da educação ambiental. O (aquífero) Bauru é pouco usado para abastecimento público porque nós gastamos muita água. E temos que nos preocupar com a preservação porque apesar do Guarani poder abastecer o Brasil por centenas de anos, do ponto de vista histórico, esse período não é nada”, afirma.

O aquífero Guarani, acessível a partir de 300 metros de profundidade da superfície do solo, é o maior manancial subterrâneo de água doce do mundo, segundo o relatório da Cetesb. No Brasil, se estende pelos Estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O manancial se prolonga em terras do Paraguai, Uruguai e Argentina.

A assessora de imprensa do DAE garante que a autarquia monitora o aquífero Guarani para evitar uma exploração predatória. “Em 2000, o DAE encomendou um estudo do aquífero Guarani e desde então, através de um software, é feito o monitoramento da reserva de água. Sabemos que em algumas regiões da cidade não se pode perfurar novos poços porque um pode atrapalhar a vazão do outro ou explorar de forma predatória o aquífero”, diz.

Por isso, ressalta Sandra, o DAE está estudando a viabilidade de retirar água do córrego Água Parada para ajudar a abastecer a cidade. “À medida que a população da cidade cresce, o DAE precisa buscar novas fontes de abastecimeno”, frisa. Além da qualidade da água, que precisa ser boa, para explorar o manciancial é preciso construir estações de captação e de tratamento e instalar adutoras para bombear a água.

O DAE, segundo a assessoria de imprensa, não tem estimativa de quanto a obra custaria. Porém, só a reforma da estação de tratamento do rio Batalha, que é da década de 40, está orçada em R$ 7 milhões.

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162 amostras foram analisadas

O relatorio da Cetesb aponta que 90% das amostras de água subterrâneas colhidas em 162 pontos do Estado de São Paulo - incluindo em Bauru - apresentaram qualidade excelente. Os 10% restantes foram classificadas como aceitáveis, o que significa que as águas precisam passar por tratamento antes de ser consumida.

Em 3% dos poços analisados, o estudo detectou nitrato, elemento que indica a presença de matéria orgânica - lixo, esgoto e fertilizante nitrogenados - acima dos padrões. Em 11% dos poços foram encontrados cromo em quantidades elevadas, o que pode ter tanto origem natural (rochas, material vulcânico) ou industrial.

Foram registrados ainda bário, chumbo, alumínio, ferro e manganês em proporções acima dos padrões em alguns pontos. Porém, nenhum desses elementos foi detectado na amostra de água colhida em Bauru - do poço do DAE localizado na quadra 24 da avenida Cruzeiro do Sul.

Cláudio Luiz Dias, gerente do setor de Solos e Águas Subterrâneas da Cetesb, diz que, a partir do relatório, o órgão vai investigar a origem das alterações. Ele frisa que cabe ao Centro de Vigilância Sanitária fiscalizar a potabilidade das águas subterrâneas captadas para abastecimento público. “A Cetesb emitiu um oficio à Secretaria da Saúde com as informações dos casos em desconformidade”, diz.

A maior preocupação dos órgãos ambientais são os poços clandestinos, aqueles perfurados sem autorização do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), órgão responsável pela concessão de outorga de água no Estado de São Paulo.

Para garantir a qualidade dos manaciais, Dias afirma que é preciso um gerenciamento integral dos mananciais subterrâneos. O Conselho Estadual de Recursos Hídricos, conta, está discutindo a possibilidade de limitar o uso de águas subterrâneas por quantidade ou pela qualidade.