08 de julho de 2026
Articulistas

Mínimo em conflito máximo


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O imenso proletariado, conjecturando que o ressonante movimento em torno da elevação do salário mínimo tivesse chegado ao seu final, enganou-se redondamente. A guerra entre representantes do Executivo, Legislativo e instituições trabalhistas ainda não acabou. Prossegue com todo vigor porque o aumento de apenas R$ 20 sobre a cotação que cessou no último dia de abril (mês da mentira) não satisfez nem um pouco a “gregos e troianos”... E não se tornou mentirinha deslavada, haja vista que parece ter satisfeito apenas ao chefe da nação e seus ministros, deixando a maioria dos parlamentares roendo as unhas e, por isso, gemendo em suas dores, dispostos a recorrerem ao remédio da reação política, com energia para não fracassar.

“Ninguém quer fazer jogo de força ou cabo-de-guerra, mas para conseguir avançar há que negociar seriamente”, disse o vice-presidente do Senado, acrescentando que esse Senado e a Câmara dos Deputados estão criando comissão para descobrir receitas que viabilizem um reajuste de salário mínimo não tão diminuto como o que propôs avaramente a Presidência da República, substancialmente inferior aos registrados pelas cestas básicas nacionais, que aí estão martirizando ainda mais a pobreza do operariado. Aspira a comissão seja dado mais corpo aos R$ 260 agora definidos e, paralelamente, legislar com o propósito de reajustar o salário anualmente, acompanhando os saltos fenomenais das arrecadações federais, estaduais e municipais, o que, com certeza, fugirá alguma coisa do “aumento responsável” perseguido pelo chefe da Nação, mas que consistirá no reacerto de consenso almejado pelos defensores de vencimentos nada banalizado como os que caracterizam os R$ 260. A conflagração vai, por isso, continuar acesa, incendiando o que se lhe antepuzer, tendo em vista a ampla divergência de interesses e opiniões que a desencadeou, estimulada pela eleitorabilidade inerente a este 2004, a qual desmente frontalmente a assertiva de que “ninguém quer fazer jogo de força ou fabricar cabo de guerra”. E seu resultado tem dia e hora para acontecer porque não pode ultrapassar o maio que está correndo. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

“Envelhecer é deixar-se despojar dos predicados possuídos: saúde, beleza, amor, vaidade e agudeza de visão. Conseqüentemente, quem não se despoja, não envelhece! Duhamelet”.