10 de julho de 2026
Geral

Morre fotógrafo Aldire Pereira Guedes

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Morreu ontem aos 88 anos o especialista em fotos aéreas Aldire Pereira Guedes. Desde a década de 20, seus enquadramentos ajudam a contar a história de Bauru, quase sempre observada por ele do alto. O olhar criterioso não se limitava ao visor das câmeras fotográficas e se atentava também às aflições sociais.

Aldire foi presidente do Lar dos Desamparados, do Lar Escola Rafael Maurício, do Lar Escola Santa Luzia para Cegos e conselheiro da Sociedade Beneficente Cristã (antigo Paiva), além de ter sido um dos fotógrafos mais experientes da cidade.

Desde os 12 anos, quando começou trabalhar como aprendiz de fotógrafo na loja de tios, transformou as câmeras em companheiras para a vida toda. Foi ao lado delas, entre um clique e outro, que superou a morte da esposa cinco anos após o casamento e criou dois filhos. Quando ficou viúvo, tinha uma menina de 1 ano e um garoto de 4 anos.

“A determinação dele era a coisa mais importante. Quando ele falava (que faria algo), fazia. Se não conseguisse, ficava frustrado, mas não descontava em ninguém”, conta o filho José Francisco Thiengo Pereira Guedes.

Assim que ele nasceu, Aldire fechou as portas da loja de fotos da família, da qual tornou-se sócio. Anos antes, assumiu o cargo de fotógrafo da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil.

“Por quatro ou cinco anos ele registrou as obras da linha férrea do trecho do Pantanal. Depois assumiu sociedade na loja. Ele só começou a trabalhar como autônomo quando ela fechou”, relata José Francisco.

Aldire trabalhou por conta própria até 2000 e realizava trabalhos fotográficos mesmo enquanto era funcionário da Polícia Técnica, na qual se aposentou aos 70 anos.

Acervo

“Durante a carreira, ele aprimorou a técnica de fotos aéreas e se especializou nisto. Ele tirava a porta do avião e ficava com metade do corpo para fora para ter liberdade de ângulo”, destaca o filho.

O historiador Luciano Dias Pires destaca a importância das fotografias de autoria dele. “Ele fez inúmeras fotos de ruas, praças, de eventos políticos, sociais e esportivos”, destaca.

Parte dessas imagens foram capturadas enquanto ele trabalhava para o Jornal da Cidade e para a Prefeitura de Bauru.

“Ele prestou serviços para a administração municipal por mais de 30 anos. Era um profissional da mais alta competência. Durante o período militar, era um dos poucos fotógrafos que tinham credencial para fazer fotos aéreas”, enfatiza Célio Gonçalves, antigo responsável pelo departamento de comunicação do Executivo municipal.

De acordo com Gonçalves, Aldire fotografava com negativos grandes para facilitar as ampliações, que ele mesmo tratava de revelar. Um de seus ângulos preferidos era o que registrava a avenida Rodrigues Alves, no sentido Jardim Redentor – estação ferroviária.

“Uma curiosidade é que ele sempre levava uma escadazinha para ver a cena um pouco mais do alto, mesmo quando a foto era para ser feita do chão. Aldire era muito sensível e ganhou um prêmio nacional de fotografia. Além disso, era um ambientalista e um filantropo”, relembra Gonçalves.

Por mais de 40 anos, por exemplo, Aldire prestou serviços ao Lar Escola Santa Luzia para Cegos, onde era vice-presidente até ontem. “Ele deu a vida dele pelo lar. Ele era o pai. Hoje (ontem) foi um dia de muita tristeza na entidade. Ele falou que estaria sempre com os meninos”, conta com a voz embargada a presidente do Lar, Nilce Regina Capasso Canavesi.

Além dela e de colegas que freqüentam a entidade, estiveram no velório amigos e políticos.