A Associação dos Docentes e Servidores da Universidade Estadual Paulista (Adunesp) decidiu em assembléia paralisar as atividades durante todo o dia de hoje no câmpus da Unesp em Bauru. Segundo o diretor da subseção sindical da Adunesp, Gilberto Magalhães, o ato faz parte da campanha salarial que reivindica 16% de reposição, contra a precarização do ensino e do trabalho no setor e em defesa da universidade pública, entre outros pontos.
“A decisão de paralisar o câmpus amanhã (hoje) já havia sido tomada durante assembléia unificada realizada no dia 28 de abril, da qual participaram servidores e docentes, totalizando 56 pessoas. É que nesta sexta-feira haverá uma negociação em Campinas entre o Fórum das Seis e o Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Paulistas) para tratar das nossas reivindicações. As expectativas são grandes”, observa Magalhães.
De acordo com ele, a decisão tomada na assembléia unificada seguiu indicativo que já havia sido apontado pelo Fórum das Seis - entidade que congrega os sindicatos de docentes e funcionários da Unesp, Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Hoje, caravanas de sete câmpus da Unesp devem seguir para Campinas para mostrar que a categoria está mobilizada.
Além da paralisação de hoje, a Adunesp também decidiu manter assembléia permanente até pelo menos o próximo dia 12, quando será avaliado o movimento a partir do resultados da primeira negociação - que será hoje, às 15h.
Segundo a Adunesp, o reajuste de 16% que está sendo reivindicado é referente à reposição da campanha salarial do ano passado e inflação do período. De acordo com Magalhães, é o valor que recomporia os salários e as perdas históricas dos servidores desde 2000. Em recente entrevista ao JC, o presidente da Adunesp, Milton Vieira do Prado Júnior, disse que desde a implantação da autonomia nas universidades houve uma perda do poder aquisitivo em torno de 49% na comparação com as escolas privadas.
Para Magalhães, a realidade dos câmpus da instituição é muito diferente do que a reitoria vem divulgando. “O reitor (José Carlos Souza Trindade) vem dizendo que professores serão contratados e que não há problemas nas faculdades, mas a movimentação estudantil mostra que a situação é muito diferente.”
Além da paralisação geral marcada para hoje, cerca de 80 alunos do curso de química da Unesp estão em greve há três semanas. O protesto foi desencadeado para pressionar a reitoria a construir mais um laboratório, já que atualmente os estudantes que optaram pela carreira dividem dois laboratórios com universitários de outros cursos. Um deles é utilizado por cerca de 300 alunos, que fazem graduação em física, biologia, e engenharia elétrica, mecânica e civil.