As agências da Caixa Econômica Federal (CEF) em Bauru e região começam a oferecer a partir de segunda-feira novas linhas de financiamento habitacional para as classes média e alta. Serão modalidades de financiamento para construção de imóvel residencial, aquisição de terreno residencial ou comercial e reforma e/ou ampliação residencial ou comercial.
“As linhas estarão totalmente disponíveis a partir de segunda-feira, sem nenhum limitador de valores máximos por orçamento”, afirma o superintendente em exercício Wanglei Rodriguez Taú, do Escritório de Negócios (EN) da Caixa em Bauru. Além da inexistência de teto para o financiamento, também não há limite de renda para a concessão do crédito.
Desde 2001, as linhas para as classes média e alta haviam sido suspensas. As modalidades utilizam recursos próprios da instituição, por meio da Carta de Crédito Caixa. “A nossa intenção é ter produtos para que nossos clientes possam escolher. Faltava um produto mais imediato, como é com a Carta de Crédito”, afirma Taú. E acrescenta: “Isso nos possibilita atender a um leque maior de pessoas”.
As taxas de juros variam de 13% a 18% ao ano mais TR, com prazo de pagamento entre 60 e 180 meses. Os financiamentos serão efetuados através do Sistema de Amortização Constante (SAC). “Os juros são compatíveis com o que tem sido praticado no mercado. A gente tem visto taxas até maiores”, diz o superintendente.
De acordo com Taú, outra novidade da linha é a possibilidade de obtenção de empréstimo mesmo por pessoas que já são proprietárias de outro imóvel residencial ou comercial.
Juros e prazo
Para o economista Fernando Pinho, as condições oferecidas pelas novas linhas da Caixa são vantajosas. “É uma taxa de juros excelente. O financiamento de habitação não pode ser visto como um empréstimo de crédito pessoal”, afirma.
De acordo com Pinho, porém, todo cuidado é pouco na hora de assumir uma dívida de longo prazo. “É preciso analisar, caso a caso, qual é a capacidade de endividamento que as pessoas ainda podem assumir, afinal, os salários estão defasados e a tributação tem aumentado de maneira voraz”, declara. E completa: “Para uma economia instável como a brasileira, um prazo de 180 meses significaria um século numa economia desenvolvida, como os EUA ou o Japão”.
Na opinião de Pinho, a decisão da Caixa de investir em financiamento habitacional pode ser positiva para a economia brasileira. “A construção civil é uma das maiores geradoras de emprego. Atualmente esse é o setor que teria mais condições de aquecer a economia”, analisa.