09 de julho de 2026
Geral

Vacina contra gripe enfrenta resistência

Luciana La Fortezza (colaborou Ieda Rodrigues)
| Tempo de leitura: 4 min

A dificuldade de imunização contra a gripe entre as pessoas com idade acima dos 60 anos demonstra que a campanha de vacinação encerrada ontem não convenceu parte dos idosos de Bauru, apesar da prorrogação. Até quinta-feira, foram aplicadas 22.909 doses da vacina para uma população de 35.157 pessoas. Ou seja, apenas 65% haviam sido imunizadas, quando a meta era atingir pelo menos 70%.

Os idosos que decidiram não aderir à campanha nacional justificam os dados do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), órgão da Secretaria Municipal da Saúde, lançando mão de argumentos variados. Entre eles estão o medo de injeção, a preocupação com que a própria vacina provoque a gripe e a pouca ocorrência da doença.

“Tem gente que não toma porque acha que a vacina serve para matar velho para o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) pagar menos pensão. Pensa assim quem tem pouca informação. Eu tomo há cinco anos e nunca tive nada, não faz mal. Ela (a vacina) é muito importante”, explica o presidente do Conselho Municipal da Pessoa Idosa, Ubaldo Benjamim.

Ele recebeu a dose no dia 17 do mês passado, data do lançamento nacional da campanha, que em Bauru foi prorrogada por uma semana em função do baixo índice de imunização. No entanto, o número de vacinas aplicadas não disparou durante o período de prorrogação da campanha, confirma a enfermeira e funcionária da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Bauru e Região, Brenda Sasso.

De acordo com ela, nesta semana de prorrogação foram aplicadas apenas oito doses da vacina no posto instalado na sede da associação. Desde o início da campanha, ela imunizou mais de 400 pessoas.

“Acredito que a tendência é, com os anos, a cobertura vacinal ir aumentando porque há muitas pessoas com menos de 60 anos que nos procuraram interessadas em tomar a vacina”, relata.

Confirmação

Por enquanto, ela também aponta vários fatores como responsáveis pela baixa cobertura vacinal obtida na cidade. “Com o friozinho dos últimos dias, muitos idosos já estão gripados ou resfriados. Apesar de não ter contra-indicação da vacina em casos de resfriados e gripes leves, os próprios idosos preferem não tomar”, diz.

Brenda acredita que a dúvida sobre a eficácia da imunização é outro ponto que contribuiu negativamente para a cidade não atingir a meta. “Muitos idosos ainda acham que a vacina não funciona e não tomam”, ressalta.

Outra argumentação freqüente entre os idosos que passaram pela associação durante a campanha e não tomaram a vacina é que a dose pode causar reações. “Há sim comentários de que a vacina causa reações, de que alguém que tomou ficou doente”, conta.

Não pensa assim Gabriel Alves Cunha, que admite o medo de injeção e passou longe dos postos de vacinação. “Não quero ser arrogante e dizer que não preciso (da vacina), mas por enquanto, graças a Deus, não senti necessidade de tomar. Mas recomendo aos meus amigos”, diz.

Também evitaram as doses da vacina seis dos 87 idosos atendidos pela Vila Vicentina – Abrigo para Idosos -, onde o índice de imunização foi de 93%. Já no abrigo para idosos da Sociedade Beneficente Cristã, todas as pessoas a partir de 60 anos de idade receberam as doses.

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Recorde do País

O Brasil atingiu a marca recorde de 11.826.535 pessoas vacinadas na 6ª Campanha Nacional de Vacinação do Idoso, segundo dados preliminares da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde, fechados anteontem.

Mesmo com balanço ainda parcial e com resultados como o de Bauru, o número representa 77,74% do total de pessoas acima de 60 anos. A meta estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 70%.

De acordo com as informações das secretarias estaduais de saúde, todos os Estados superaram o índice mínimo estabelecido (de 70%). Tendo como base a população total, a região Centro-Oeste obteve, até quinta-feira, 80,64% de cobertura, ou seja, 10,6% acima da meta.

As regiões Norte e Nordeste também apresentam dados positivos, com coberturas de 80,25% e 80,08%, respectivamente. Na região Sul o índice alcançado já é de 77,23%, informa a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde. Segundo os dados parciais, na região Sudeste o percentual é de 75,93%.

Estes são os melhores índices já alcançados desde o primeiro ano da campanha, em 1999. Em 2003, o Ministério da Saúde já havia conseguido superar todas as metas de vacinação dos últimos anos, imunizando 12,3 milhões de idosos. Este número correspondeu a 82% da população total com 60 anos ou mais. (Da Redação)