Após três meses de aulas com instrutores do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), 27 adolescentes internos da unidade de Bauru da Fundação Estadual para o Bem Estar do Menor (Febem) receberam ontem seu certificado de conclusão do curso. A iniciativa, inédita no Estado, é uma parceria da instituição e do Senai, com o apoio do Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente de Bauru.
O coordenador pedagógico da Febem, Jair Sanches Vieira, destaca que os últimos meses, período em que os adolescentes participaram do curso, foram de relativa tranqüilidade na unidade de Bauru - palco de diversos tumultos no ano passado. “A casa esteve tranqüila nesse período, sem conflitos, e com certeza as atividades têm a ver com isso. Sempre que você traz atividades e oportunidades para os adolescentes, você tem esse resultado. Quem está fazendo o curso acaba influenciando os outros a manterem as coisas em ordem”, ressalta.
A diretora da unidade, Celi Aparecida Martins Perpétuo, concorda com o coordenador. Ela afirma que as atividades fazem parte de proposta socioeducativa da instituição. “Os meninos têm aulas do ensino formal na parte da manhã e à tarde o tempo é ocupado com atividades em oficinas. Nosso objetivo é investir no aspecto pedagógico, para que a iniciativa sociopedagógica que aplicamos se efetive com sucesso”, diz.
Os adolescentes que participaram do curso de construção civil receberam formação para pintura de paredes, carpintaria e construção de telhados, eletricista, encanador e pedreiro. O conselho investiu R$ 3.900,00 para a implantação do projeto-piloto e formação das primeiras turmas. O Senai já havia fornecido os kits com os materiais das oficinas.
Na opinião do diretor do Senai de Bauru, Reinaldo Munhoz, o curso ofereceu aos internos a oportunidade de ter uma formação profissionalizante e que possa inseri-lo no mercado de trabalho quando deixar a Febem. “Hoje, temos a conclusão de que o jovem poderá gerar sua renda quando sair da unidade, mesmo que não seja absorvido pelo mercado. Ele poderá ter seu próprio negócio, pois essas modalidades do curso têm esse perfil”, aponta.
Munhoz indica ainda que as aulas comprovaram o talento dos adolescentes. “Não é porque um adolescente não teve oportunidades ou porque é infrator que ele não pode ser motivado. Isto nos deixa seguros de que os jovens que estão passando pela ressocialização sairão para o mercado de trabalho e terão sua oportunidade garantida”, observa o diretor do Senai.
Para Daniel (nome fictício), 15 anos, a possibilidade de participar do curso de construção civil na Febem representa uma oportunidade de ajudar sua família. Ele está na unidade há cinco meses e comenta que as aulas foram muito interessantes. “Com certeza, o curso me ajudou e vai ajudar todo mundo que está aqui. Quando cada um sair daqui, vai ter um serviço lá fora. Eu espero arrumar um bom emprego para poder ajudar minha mãe, minha avó e minha família”, finaliza.
A presidente do Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente, Maria Moreno Perrone, afirma que os membros devem se reunir no próximo dia 13 e decidirão se o projeto dos cursos do Senai terá prosseguimento. “A unidade não tinha como executar o projeto e o conselho achou interessante investir nele. É um trabalho socioeducativo e profissionalizante, que dará condições de cada menino ter seu emprego quando deixar a Febem”, diz.
Para a continuidade do projeto, será necessária verba de R$ 39,6 mil, que seria oriunda do Fundo Municipal da Criança e do Adolescente.