Para uma mãe, nada traduz tão bem o sentido da palavra “orgulho” quanto um filho. E quando ele se parece com ela, então, o sentimento ganha dimensões ampliadas. Em homenagem ao Dia das Mães, o Jornal da Cidade foi em busca de mães e filhas que são uma a cópia da outra - seja fisicamente, na personalidade ou mesmo no gosto pela mesma profissão.
A cantora Maria Rita talvez seja o exemplo mais expressivo no momento. Desde que resolveu seguir a mesma carreira da mãe, a inesquecível Elis Regina, ela tem se tornado alvo de comentários que destacam a sua semelhança com a mãe famosa. O assunto ficou tão em evidência, que chegou a incomodá-la.
Já as corretoras de imóveis Eliana Chab Domingues e Juliana Chab Domingues Guimarães não se importam nem um pouco de ressaltar a semelhança entre elas. “Nós somos parecidas fisicamente e no temperamento”, afirma Juliana.
Tanto é que, mesmo sendo formada em odontologia como o pai, ela decidiu pendurar o diploma na parede e seguir a carreira da mãe. Há três anos e meio elas trabalham juntas na imobiliária de Eliana. “Isso acabou acontecendo porque temos o mesmo jeito de ser: assim como ela, eu também sou bastante agitada e gosto de interagir com as pessoas”, conta Juliana.
Eliana não disfarça que ficou orgulhosa quando a filha decidiu seguir a sua profissão. “Apesar de ser uma atividade desgastante, vejo que ela se sente realizada trabalhando com imóveis, assim como eu”, salienta.
Até mesmo a voz de Eliana e Juliana é parecida. Ao falar com elas por telefone, fica difícil identificar qual das duas está do outro lado da linha. “As semelhanças foram ficando mais evidentes à medida que eu fui crescendo. Quando era criança, não parecia tanto assim”, diz a filha.
Foi assim também com as psicólogas Maria Lúcia Biem e Luciana Maria Biem Neuber, mãe e filha. “A aparência foi ficando mais semelhante quando fui entrando na adolescência”, salienta a filha.
Em comum, além da profissão, as duas têm a sensibilidade, a afetividade, a maneira de se vestir, o gosto pela dança, pelas festas em família e pela natureza.
Mas a personalidade delas nem sempre coincide. Enquanto Luciana é mais prática e racional, Maria Lúcia se prende ao seu lado emotivo. A filha rende mais durante a tarde e a noite, já a mãe tem um pique maior logo pela manhã.
Escolha da profissão
Luciana garante que, embora tenha muita proximidade com sua mãe, até mesmo por conta das semelhanças de temperamento, a opção de seguir a mesma carreira que a progenitora foi dela mesma. “Foi tudo muito tranqüilo”, destaca.
Ela conta que sempre soube que seguiria a área de saúde e passou por várias fases de preferências. “Eu me interessei por odontologia, medicina e, só depois, por psicologia. Antes de me decidir, pesquisei bastante cada uma delas até tomar a decisão”, salienta.
Depois de formada, Luciana passou a trabalhar no consultório com a mãe. Ambas atuam na área de terapia familiar e ainda têm outros projetos em parceria, como palestras e workshops.
Para Maria Lúcia, foi uma grande satisfação receber a filha como sócia no consultório. “É muito bom trabalhar com ela. A gente conversa muito sobre o trabalho, troca idéias, planeja eventos juntas. Além disso, sinto-me orgulhosa quando a vejo atuando”, comenta a psicóloga.
Para Maria Tereza Rossini Dora e Marcela Rossini Dora Gonçalves, mãe e filha, o trabalho em conjunto surgiu naturalmente. As duas começaram a trabalhar juntas na área de decoração e hoje são donas de um buffet.
Marcela conta que tem o mesmo dom da mãe e que só descobriu isso depois de tentar fazer cinco faculdades. “Nada me agradava. Não terminei nenhuma delas”, salienta.
Como Maria Tereza é decoradora, aos poucos Marcela foi se interessando pelo assunto. “Comecei a fazer pátina nos móveis das casas de alguns clientes da minha mãe e acabei trabalhando com ela nesse ramo”, explica.
Ao se inserir nesse campo profissional, Marcela acabou recebendo um convite para trabalhar como gerente de uma loja de estofados. Até que surgiu a oportunidade de comprar o buffet. Atualmente, Maria Tereza continua com a área de decoração, mas divide as tarefas da empresa com a filha. “Fico toda cheia quando alguém comenta que a Marcela atende bem, é delicada na organização do buffet”, destaca.
Juntas no lazer
Não é só a semelhança física que aproxima mãe e filha. O gosto pela diversão e a alegria de viver também podem atuar como um ímã entre elas. É o caso da dona de casa Aurora Cabrera e da empresária Paula Cabreira.
Elas dizem que nem são tão parecidas assim no visual, mas que têm a personalidade semelhante. “Nós gostamos de fazer amigos, de passear, viajar e somos muito alto-astral”, diz Paula, a filha.
Quando os horários de trabalho permitem, elas vão ao cinema, a barzinhos, a festas e até fazem viagens juntas. “No réveillon de dois anos atrás, nós decidimos na última hora ir para Parati. Fizemos as malas e pegamos a estrada. Foi uma delícia”, conta Paula, que tem mais quatro irmãos.
Aurora conta que, quando olha para a filha, vê um pouco da própria personalidade refletida nela. “O nosso entusiasmo é muito parecido, somos muito festeiras. Ela, assim como os outros filhos, é uma bênção para mim”, destaca.
Troca de identidade
Assim como pode trazer vantagens, ter os mesmos traços físicos e psicológicos da mãe também pode ser um perigo para filhas que não têm a sua identidade fortalecida.
De acordo com as psicólogas Maria Lúcia Biem e Luciana Maria Biem Neuber, se a pessoa não souber delinear o seu diferencial, as comparações poderão afetá-la psicologicamente.
Luciana, inclusive, sentiu na pele o peso da comparação. Quando fazia faculdade, por exemplo, era vista não como ela mesma, mas sim como a filha da Maria Lúcia Biem, psicóloga já bastante reconhecida por seu trabalho na cidade. “Foi uma luta grande para conseguir me diferenciar e mostrar o meu valor”, diz.
Situação semelhante vive a cantora Maria Rita, filha de Elis Regina. Quando surgiu no cenário nacional, muitas foram as cobranças e comparações com a mãe famosa. Para tentar se preservar, ela não interpreta músicas que foram sucesso na voz de Elis e evita ao máximo as comparações.
Luciana salienta que esse dilema surge muitas vezes na escolha da profissão. Tentar seguir a carreira da mãe, sem gostar da atividade, pode trazer sérias conseqüências psicológicas para a filha. “Vai ser uma grande frustração, pois as comparações existirão a todo momento e a pessoa não vai conseguir mostrar o seu diferencial e se destacar.”