A cidade de Garça (70 quilômetros a Sudoeste de Bauru) possui cerca de 43 mil habitantes e uma população flutuante de aproximadamente 2 mil pessoas, o que significa 4,65% do total de moradores, por conta dos estudantes da Faculdade de Agronomia e Engenharia Florestal (Faef). Este número sofre alterações considerando que no município existem ainda mais duas instituições que oferecem curso superior; a Faculdade de Tecnologia (Fatec) e o Instituto de Ensino Superior de Garça.
A Faef foi instalada em 1989 e fez seu primeiro vestibular em 92. A instituição tinha 50 alunos nesta época. Ao completar 15 anos, ela acumula 2.800 alunos e 12 cursos de graduação e seis de pós-graduação.
Os alunos e o corpo docente mudaram a “cara” da cidade que teve seu auge na era do café. Para instalar a faculdade, a instituição fez um levantamento sobre a necessidade de mão-de-obra qualificada. Com a economia centrada na agricultura, a necessidade do agrônomo era evidente, assim como do engenheiro florestal.
Os demais cursos vieram na esteira das necessidades da micro região, explica a coordenadora da pós-graduação, Júlia Kawasaki Hori. “O curso de administração e comércio exterior, por exemplo, foi criado para atender uma demanda cada vez maior de profissionais que exportam a produção agrícola e industrial da cidade, hoje baseada na produção de eletroeletrônicos e eletromecânicos.”
O curso de direito é voltado para a legislação ambiental justamente para orientar o produtor rural. Já a medicina veterinária tem ênfase em pequenas propriedades onde a criação de animais tem que ser diferenciada.
O curso de turismo elegeu o filão do rural para tentar alavancar a região. As pequenas propriedades que não sobrevivem com a própria produção poderão receber turistas das Capitais que anseiam pelas coisas da roça. “A região é rica em casarões da época do café. Em Gália, cidade vizinha, a Vila dos Ingleses também é atrativa. Existe um potencial a ser explorado”, explica a professora.
A faculdade gerou empregos diretos e indiretos. O professor Silvio Pena, que trabalha no Hospital Veterinário, por exemplo, encontrou vaga na área. “Eu sou formado em Marília com residência em Botucatu. Viajo todos os dias para dar aula aqui. Acredito que houve uma abertura de mercado.”
Já o aluno Ruberval Donizete da Silva, 28 anos, quartanista do curso de veterinária, saiu de Avaré para poder conquistar o sonho do diploma de curso superior. “Eu sempre vivi no campo e gosto de lidar com animais de grande porte.”
Retorno para a comunidade
Os moradores de Garça e região estão sendo beneficiados com os serviços prestados pelos alunos supervisionados pelos professores, do hospital Veterinário, localizado no câmpus. Por um preço simbólico, os cães e gatos podem ser atendidos pelos futuros profissionais. A Faef pretende em breve beneficiar os animais que ficam soltos nas ruas da cidade e, para isso, está construindo um canil e um gatil.
Os animais de rua serão levados para o câmpus para serem tratados e posteriormente serão disponibilizados para adoção.
Cursos
Administração, administração com ênfase em informática, comércio exterior, economia, ciências contábeis, direito, engenharia florestal, medicina veterinária, pedagogia e complementação em pedagogia, psicologia com sistemas de informação, turismo, além de seis cursos de pós-graduação.
O diferencial da faculdade, segundo a vice-diretora, é a qualidade aliada ao preço. “Três cursos (administração, pedagogia e agronomia) obtiveram avaliação A no provão. Os demais conquistaram B e C. O valor das mensalidades é determinado pelo perfil econômico apurado na pesquisa feita antes da implantação do curso.”
Para a Faef não existe uma mensalidade fechada. “Quem tem curso superior tem desconto de 50%, por exemplo. Para atrair o aluno de Bauru, a faculdade oferece um desconto para compensar os gastos com o transporte. Todo aluno que apresenta um projeto científico também tem desconto.”
Migração de professores
Para oferecer um ensino de qualidade, a Faef busca um corpo docente titulado, explica a professora Júlia Hori. “Essa mão-de-obra qualificada não tem em Garça, por isso buscamos em cidades da região e na Capital.”
A maioria dos docentes chega de Marília, cidade vizinha. “Temos professores de Bauru, São Carlos, Assis, Araraquara, Rio Preto, Ribeirão Preto e Jaboticabal.”
Pela avaliação dela, a mudança foi radical no bairro. “Era um bairro onde a pobreza dominava. Hoje, é valorizado e a presença dos estudantes, provocou a urbanização.”
A ampliação da escola pode beneficiar ainda mais o município, acredita Hori. “Temos um câmpus e vários laboratórios. Estamos aguardando a comissão avaliadora do Ministério da Educação e Cultura (MEC) para a abertura dos cursos de enfermagem, farmácia, fisioterapia, biologia e biomedicina.”