10 de julho de 2026
Regional

Cidades pequenas tentam fixar alunos em suas universidades

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

De olho no potencial jovem, as instituições estudantis que oferecem cursos superiores estão investindo nas pequenas cidades do Interior paulista. A ação praticada por elas tenta fixar o aluno em sua cidade de origem e inverter o fluxo de estudantes das cidades de pequeno porte para as de médio, onde estão instaladas as faculdades e universidades com maior número de alunos e cursos, como mostrou reportagem do JC Regional do último domingo.

A estratégia adotada pelos investidores é implantar cursos que ofereçam a qualificação superior e que atendam a um mercado de trabalho existente naquela micro região e assim atrair o jovem prestes a entrar no mercado de trabalho, tanto o morador da cidade quanto outros da região também. Na busca pelo aluno, cada uma dessas instituições adota um tipo de incentivo.

Em Garça (70 quilômetros a Sudoeste de Bauru), por exemplo, o aluno da Faculdade de Agronomia e Engenharia Florestal de Garça (Faef) que mora em Bauru tem um desconto na mensalidade para amenizar o preço do transporte. Em Pederneiras (26 quilômetros a Leste de Bauru), na Faculdade Centro Tecnológico (FGP), o desconto varia até 70% e depende da atuação do estudante que é avaliado mensalmente. Se a nota for boa, ele paga menos.

Com atrativos “caipiras”, típicos de cidade pequena, as instituições estão, devagarinho, abocanhando uma fatia do mercado estudantil. A implantação de faculdades em municípios pequenos provocou outro fenômeno: alavancou a economia local. Estudantes e professores universitários movimentam o setor imobiliário, alimentício e a prestação de serviços.

A vice-diretora e coordenadora do curso de pedagogia da Faculdade de Agudos (FAAG), Mônica Lúcia Fonseca, deixou a cidade de São Carlos para viver em Agudos (18 quilômetros a Sudeste de Bauru). “Estou feliz com a troca. Aqui, o aluguel é mais barato e a vida é mais saudável.”

Além do emprego e da moradia mais em conta, a professora também encontrou lazer e qualidade de vida. “O trânsito é tranqüilo, aliás, tenho feito uma caminhada da minha casa para o serviço, é perto demais para usar o carro. Nos finais de semana, há muito lazer rural. Já fui visitar algumas fazendas e o seminário.”

Ela conta que conseguiu alugar um apartamento com três dormitórios, uma suite e dependências de empregada por R$ 550,00 mensais. Em São Carlos, um apartamento desse porte ela pagaria cerca de R$ 800,00.

A grande vantagem, na opinião dela, é que mora bem em um local tranqüilo e tem acesso a uma cidade maior, no caso Bauru, em poucos minutos. “Tem muita gente que mora em Bauru que demora mais tempo do que eu para chegar ao Centro da cidade. Com a rodovia Marechal Rondon, o acesso é muito fácil e rápido.”