08 de julho de 2026
Articulistas

Débito sem fim...


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Trinta longos anos canalizando enormes recursos financeiros para vários países, na ousada tentativa de diminuir quanto possa sua dívida externa, ainda não conseguiu o Brasil cristalizar o desejado milagre, pois logra emagrecer o débito em um período, mas o engorda em outro, mantendo sua tradicional crise econômica nos mesmos patamares, dos quais desce quase nada... Não são poucos e nem inexpressíveis os males com que a louca problemática agride a população, uma vez que é ela uma desmanteledora feroz da vida das pessoas e, consequentemente, se transforma em uma dura realidade para quantos vegetam sob os escuros céus nacionais. Dessa forma, obriga todos a conviver tristemente com não poucos dramas, entre eles o fabuloso desemprego profissional, que acaba provocando fome em 10 milhões de brasileiros, coisa que estende a distância bem longínquas a segurança individual e coletiva, arrastando todos a uma deplorável crise de identidade, diante da qual os indivíduos passam a não se conhecerem, não sabendo mais quem são, defrontando-se até com a inconveniência de separações conjugais, rupturas de amizades e desagregações familiares. Percebe-se daí o quanto a situação advinda da carência econômica afeta diretamente não apenas o bolso como a própria existência humana, uma vez que incide diretamente sobre as suas manifestações psíquicas, vinculadas à sua machucada maturidade.

Então, amigos, a batalha no sentido de desmantelar ou manter em declínico a dívida externa, responsável pela dolorosa realidade em que vive a maioria do povo brasileiro, reclama golpes bem mais violentos e certeiros que os que o governo lhe tem inocentemente aplicado em meio a um sorriso de quem espera algum milagre, o qual, no entanto, vai demorando demasiadamente, não tendo a coletividade a menor consciência de quando ele iluminará, finalmente, a sua tosca janela, para amenizar as suas carências e encaminhar a nação para horizontes em sombra e, então, sem a escuridão que esconde a sua pobreza e demais salmouras que a tornam pouco digesta. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

“As coisas não fazem sentido se não colocamos sentido nas coisas” (Roque Schneider).