11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Grevistas do INSS priorizam urgências

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

Os auditores fiscais do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) interromperam ontem os serviços da agência da Previdência Social de Bauru, onde os servidores públicos já aderiram parcialmente desde o dia 27 de abril à greve nacional da categoria. A paralisação pontual dos auditores faz parte do movimento que pede reajuste salarial de 43,43%, reposição de gratificações, entre outros itens. Há 14 dias, somente os casos de urgência estão sendo atendidos na agência.

Dezenas de pessoas que estavam na fila desde o início da manhã de ontem ainda se surpreendiam com os avisos da greve. A agência permaneceu com menos de 20 servidores para o atendimento ao público. A gerente-executiva substituta Fátima Tavares de Oliveira Prado afirma que foram priorizados os atendimentos e pagamentos de benefícios por incapacidade, aos idosos e liberação de pensão por morte de segurado do INSS.

“A retomada dos serviços depende do número de pessoas que vão voltar a trabalhar amanhã (hoje). Inicialmente, estamos programando fazer 20 atendimentos por dia, principalmente para casos de auxílio aos idosos, auxílio-doença e morte, que não podem esperar”, diz.

Fátima destaca que o setor mais prejudicado pela paralisação foi o de benefícios, que tem maior número de servidores em greve e que chega a atender mais de 70 pessoas diariamente. Na agência toda, de 300 a 400 segurados são atendidos todos os dias.

“No setor de arrecadação somente três pessoas pararam, então, não atrapalhou tanto o atendimento, mas não temos como oferecer o serviço em 100% para a população. Hoje (ontem), algumas pessoas receberam um protocolo provisório para não perder o dia. Quem conseguiu protocolar seu pedido, pode aguardar a comunicação da Previdência”, orienta.

A aposentada Nair de Souza não sabia da paralisação e foi avisada na porta da agência que deverá retornar em outro dia para ser atendida. “Eu preciso pegar a ordem da perícia médica, mas vou ter que vir aqui de novo”, lamenta.

Já Alice Barbosa Pardo, moradora da Vila Industrial, espera que a greve dos auditores seja resolvida em breve. “A gente sabe que eles estão pedindo reajuste. Mas para a gente também é complicado, porque temos de gastar passe de ônibus, chegamos aqui e está tudo parado. Eu tenho perícia no dia 15, mas preciso pegar o nome do médico que vai fazer o exame. Sem isso, eu não recebo o pagamento”, indigna-se.

No último mês, outras quatro paralisações pontuais dos auditores já haviam sido organizadas na tentativa de chamar a atenção do governo federal para o movimento. Eles afirmam que estão sem reajuste salarial desde 1994 e que o índice de 43,43% seria relativo apenas aos últimos quatro anos. A paralisação dos auditores engrossa o movimento de servidores administrativos da Previdência Social, em greve desde 27 de abril por reajuste de 47,11%.

A reportagem do JC tentou contato com a diretoria do Sindicato dos Auditores Fiscais da Previdência Social do Estado de São Paulo (Sindifisp) durante todo o dia de ontem, mas não conseguiu localizar ninguém.

A agência da Previdência Social de Bauru atende outros nove municípios da região, nos quais o atendimento ao público está prejudicado: Arealva, Agudos, Piratininga, Cabrália Paulista, Lucianópolis, Duartina, Pederneiras, Avaí e Paulistânia.

Além do reajuste de 47,11%, os servidores do INSS também reivindicam mudanças no termo de adesão para que tenham esse percentual aplicado sobre os salários - pela proposta do governo, o servidor deve assinar um documento no qual declara que desiste de processos judiciais contra a União -, realização de concurso público para contratação de novos profissionais e alterações no plano de carreira.

Outras paralisações

Além dos servidores da Previdência Social, também continuam em greve os procuradores da Advocacia Pública Federal e da Defensoria Pública da União (DPU), que pedem equiparação de salários com os procuradores estaduais e melhores condições de trabalho.

Os agentes, escrivães e papiloscopistas da Polícia Federal (PF), que permaneceram mais de 50 dias em greve e interromperam o movimento na última quinta-feira, devem decidir hoje se a trégua será suspensa e a paralisação retomada. Na semana passada, a categoria cedeu a um pedido do presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP), que tentaria intermediar as negociações.

Os servidores da PF reivindicam o cumprimento da lei 9.266/96, que unificaria os cargos em uma única tabela de vencimentos, com reajustes de 15% a 85%. O governo chegou a oferecer reajuste linear de 17%, mas a proposta foi negada pela categoria.