Os filhos de mães com maior grau de instrução têm menos chances de morrer antes de completarem 5 anos de idade. Essa é a conclusão de um estudo nacional realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no censo demográfico de 2000.
O levantamento do IBGE aponta que, entre as mães com até três anos de estudo, o índice de mortes na infância é de 49,3 a cada mil crianças nascidas vivas. Esse número cai para 30,2 por mil entre as mães que estudaram de quatro a sete anos e para 20 entre aquelas que ficaram oito anos ou mais em instituições de ensino.
Para o IBGE, a análise dos dados mostra que as mães escolarizadas têm mais noções sobre a importância da higiene e da saúde no cuidado com os filhos e eles, por conseqüência, têm menos chances de morrer antes de completarem 5 anos de idade.
A integrante do Comitê Municipal de Mortalidade Materno-Infantil, Heloísa Ferrari Lombardi, acredita, porém, que a realidade de Bauru é diferente daquela encontrada em outras regiões do País. “No Norte e Nordeste, a questão da higiene e das doenças infecciosas e parasitárias está presente, mas essas não são as causas principais das mortes no Sudeste, onde registramos muitos casos de anomalias congênitas e prematuridade da criança”, comenta.
A tese defendida por Lombardi se ampara nos dados regionais do levantamento do IBGE. Enquanto no Nordeste a taxa de mortalidade infantil entre as mães com até três anos de estudo é de 70,3 por mil, no Sudeste esse índice despenca para 34,8 por mil, ou seja, menos da metade.
Em Bauru, segundo ela, a questão do nível de escolaridade precisa ser analisada em conjunto com outros fatores, como o nível sócio-econômico das famílias. “No ano passado, pontuei no mapa da cidade onde estavam as mortes e o que a gente percebe é que o maior número de crianças morava nos bairros periféricos”, ilustra.
Queda
O levantamento do IBGE não traz números estaduais ou municipais que relacionem as mortes de crianças de até 5 anos com o grau de escolaridade da mãe. De qualquer modo, a mortalidade infantil tem caído em Bauru ao longo dos últimos anos.
De acordo com Lombardi, os índices referentes a 2003 estão sendo revisados e ainda podem sofrer alterações, mas os dados preliminares apontam uma taxa de 12,51 mortes por mil crianças de até 1 anos de idade nascidas vivas. Em 2002, esse número foi de 14,23 por mil e, em 1990, de 27,3 por mil.
A integrante do Comitê Municipal de Mortalidade Materno-Infantil explica que o órgão procura fazer um acompanhamento rigoroso da mortalidade infantil em Bauru. “Fazemos uma visita às residências onde houve registro de morte de criança menor de 1 ano e procuramos esgotar, junto à família, todas as informações a respeito de cada caso”, declara.
Ela afirma que o objetivo desse trabalho é ajudar a continuar reduzindo o número de ocorrências na cidade. “Para isso, também desenvolvemos outras ações, como o atendimento no ambulatório de planejamento familiar que implantamos em parceria com a Maternidade Santa Isabel”, destaca.