08 de julho de 2026
Articulistas

Maio de 1968


| Tempo de leitura: 2 min

Tinha eu 18 anos. Chegava em São Paulo para fazer cursinho e prestar vestibular. Meu olhos viram acontecimentos que marcaram a história para sempre. Sob o hino de guerra de Vandré, todos sonhávamos com o ideal de liberdade, justiça e vontade de viver. Tendo como pano de fundo a música existencial de Caetano Veloso “caminhávamos contra o vento, sem lenço, sem documento, nada no bolso ou nas mãos, querendo apenas seguir vivendo”.

E nessa mistura de perplexidade e amor, vi os estudantes de Filosofia da USP enfrentarem, numa batalha histórica, os estudantes do Mackenzie, o maior reduto reacionário daquela época. Vi o último Congresso da UNE em Ibiúna. Vi a guerrilha urbana. Vi a justiça e a injustiça, a certeza e a incerteza, a guerra e a paz.

Na Europa, especialmente na França, os estudantes montavam barricadas para enfrentar a polícia, à luz dos textos de Marcuse. Era um sonho de liberdade e conquistas que marcou toda uma geração.

A partir daí, comecei a enxergar o mundo de forma diferente. A luta hoje continua. Pode ter mudado o estilo, mas não o conteúdo. O sonho dos que ainda sonham continua sendo por viver num país onde todos tenham empregos para trabalhar, onde todos terão terras para plantar e colher, onde todos saberão ler e escrever...

Um país onde não haverá morte prematura de crianças, também não haverá exploração, nem domínio estrangeiro, nem guerra, nem violência. Não haverá favela, nem miséria, nem fome, nem meninos de rua!

Não terá mais trabalho escravo de crianças em carvoaria, nem prostituição de meninas pobres para ganhar o pão... Não haverá conflito de gerações. Os políticos serão honestos...

E, na minha utopia maior, vejo um país onde todos possam nascer livres e iguais. Mesmo que não tenham a mesma cor da pele. Mesmo que não pensem como nós. Mesmo que sejam mais ricos ou mais pobres

Maio de 1968. O tempo passou e a história ficou, ou como diria Chico Buarque, em Roda Vida, “o tempo rodou num instante nas voltas do meu coração”.

O autor, Carlos Roberto Sette, é economista, professor universitário e consultor de empresas.