09 de julho de 2026
Regional

CEI vai apurar uso de carro oficial

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

São Manuel - A Câmara Municipal de São Manuel (69 quilômetros a Sudeste de Bauru) aprovou por unanimidade, na noite de anteontem, uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar denúncias de uso indevido de veículo oficial para fins particulares em São Paulo, no mês passado.

O requerimento para a instalação da CEI foi assinado por todos os vereadores. Se houve consenso na aprovação do requerimento, o mesmo não pode ser dito quando passou-se para a escolha do presidente e do relator da comissão.

A bancada da oposição acusou a situação de manobra política quando esta última quis indicar representantes para os dois principais cargos dentro da CEI.

Diante do impasse, os cinco vereadores que foram escolhidos para participar da comissão de investigação reuniram-se ontem à tarde na Câmara para definir a função de cada um.

A reunião demorou pouco menos de uma hora e ficou decidido que a bancada de apoio ao prefeito Flávio Roberto Silva (PSB) ficará com a presidência da CEI e a oposição com o cargo de relator.

Os indicados foram Dener Caio Castaldi (PPS), para presidente, e Saulo Brombini (PL), para relator. Este último foi, aliás, o autor da denúncia sobre a utilização supostamente irregular do carro oficial, que resultou agora na criação da CEI.

Além deles, fazem parte da comissão os vereadores Emílio Aparecido Guimarães (PSB), que ficou com o cargo de vice-presidente, Wilson José Innocenti (PSDB), que será o secretário, e Francisco Moscatelli Neto (PMDB), indicado para ser apenas membro da CEI.

A partir de agora, eles terão 60 dias para descobrir se realmente houve alguma irregularidade e, neste caso, quem foram os responsáveis. Se for necessário, a CEI poderá ser prorrogada por mais 60 dias.

Apesar da denúncia ter sido feita pelo vereador Brombini, foi o próprio prefeito quem pediu uma investigação do caso. Ele orientou os vereadores que lhe dão apoio a votarem a favor do requerimento. O prefeito tem a maioria na Câmara.

Flavinho, como é mais conhecido na cidade, disse na época em que a denúncia foi feita que era de seu interesse que os fatos fossem apurados.

Brindes

Toda a polêmica envolvendo o uso do carro oficial da Prefeitura de São Manuel supostamente para uso particular veio à tona no fim do mês passado.

O vereador Saulo Brombini alega ter recebido uma carta anônima no dia 26 de abril com cerca de 40 fotos e uma fita de vídeo.

As imagens mostram quatro funcionárias da prefeitura fazendo compras em lojas de confecções e lingeries nas ruas Oriente e 25 de Março, em São Paulo. As gravações em vídeo mostram o momento em que elas guardam várias sacolas dentro do porta-malas do carro oficial, com a placa do Poder Executivo.

Entre as funcionárias estavam a diretora de Saúde e irmã do prefeito, Maria Cecília Massarelli Silva Lossurdo, a diretora da Promoção Social, Lilian Tedesco Fusco, nora do vice-prefeito Luiz Lúcio Forte (PSDB), Andrea Abilio e Cristiane Lorençon.

De acordo com o prefeito Flavinho, elas teriam ido a São Paulo para atualizar um programa de faturamento na área da saúde e aproveitaram para buscar 500 porta-comprimidos, que serviriam como brindes durante a campanha de vacinação dos idosos.

A prefeitura alega que a empresa responsável pela comercialização do material teria deixado os brindes em um loja de lingerie para facilitar a entrega.

Além disso, as diretoras teriam aproveitado para fazer um orçamento de calcinhas, cuecas, meias infantis e de adulto para distribuição durante campanha de vacinação contra gripe e paralisia infantil, segundo argumentou a assessoria de imprensa da prefeitura.

O prefeito alegou, na época, que não via problema algum das funcionárias aproveitarem a viagem para fazer compras pessoais.

Além da Câmara, o Ministério Público também recebeu a denúncia. Flavinho informou que não tomará nenhuma decisão contra as funcionárias antes do encerramento das investigações.

Em Botucatu, uma denúncia de uso irregular de carro oficial foi arquivada pelos vereadores. Sem provas consistentes, os integrantes da CEI, criada para apurar a denúncia, decidiram suspender os trabalhos de investigação.