Combater a miséria passou a ser primazia do socialismo, enquanto o capitalismo continua gerando miséria pelo mundo inteiro. Quero dizer que vivemos a ditadura do capital financeiro. É uma ditadura mundial que cria um mundo de total desigualdade, que gera riquezas muito grandes para alguns e miséria imensa e progressiva para a maioria. A modernidade construiu um mundo menor do que a humanidade, e milhões de pessoas ficaram de fora.
Em um século de guerra entre capitalismo e socialismo, de um lado, senhores feudais, latifundiários, proprietários e "doutores", de outro, índios, escravos, trabalhadores e pobres. Aqui no Brasil, basta olhar ao redor e ver a vitória desse capitalismo selvagem que gera riqueza pela produção da pobreza, sendo um modelo econômico sustentado de vícios sociais, ou seja, o padrão rural da colônia transferiu-se praticamente intacto ao país urbano.
Na globalização moderna, as indústrias brasileiras investem em tecnologia de primeiro mundo, mas esquecem e continuam atrasadas nas relações de trabalho. A industrialização brasileira não encurtou o abismo entre pobres e ricos. Os senhores viraram empresários e continuam vivendo em novas versões da casa-grande, e os escravos viraram trabalhadores, mas continuam morando na senzala, em favelas e pombais feitos para isolar o pobre depois do serviço.
As categorias sociais se extinguiram e hoje podemos classificá-las em: ricos, pobres e indigentes.
Afirmo: este Brasil é assim por descaso, pois seria possível gerar mais empregos e também desburrocratizar a tão sonhada reforma agrária, possibilitando que milhões de pessoas famintas tivesse acesso ao menos à comida.
Podemos projetar um futuro no Brasil trágico de hoje? Os indigentes indicam a rota de um grande crepúsculo social, de uma farsa econômica e de um desastre político.
E mudar o futuro depende de mudar a maneira como se pensa no presente. O futuro começa hoje. Para mim, não basta lutar contra o capitalismo, temos que conquistar a democracia (sociedade que garante a liberdade de associação e de expressão e na qual não existem distinções ou privilégios de classe hereditários ou arbitrários).
Chega de imunidades parlamentares, chega de direitos humanos só para os desumanos, chega de leis e impostos abusivos, chega de corrupção...
Todos podem e devem comer, trabalhar e obter uma renda digna, ter escola, saúde, saneamento básico, educação, acesso à cultura entre outros. Ninguém deve viver na miséria, pois democracia é cidadania, e a sociedade exige da política, dos partidos, das instituições e das leis, uma mudança já.
Caso contrário, só existe a presença do passado no presente, projetando no futuro, o fracasso de mais uma geração.
Paulo Roberto Bueno Storto - RG 12.501.730