Mais uma vez, o governo do presidente Luis Inácio Lula da Silva faz manchete internacional. Na sua edição de sábado, dia 08 de maio, o jornal norte-americano The New York Times publica uma matéria sobre um possível hábito impróprio do presidente brasileiro quanto a consumo de bebidas alcoólicas; o qual estaria afetando o desempenho de suas funções no governo; gerando uma grande polêmica. Antes de qualquer juízo de valores, deve-se analisar o ocorrido de forma objetiva. A matéria publicada, sem sombra de dúvidas, expõe uma suposta situação de forma infundada e vexatória, especialmente tratando-se da autoridade máxima de um país de importância no cenário internacional. Fazendo uso das palavras do porta-voz da presidência, com um “jornalismo marrom”, o articulista, e especialmente, o jornal norte-americano, criou um imenso desconforto ao governo petista e, sobretudo, denegriram a imagem do Brasil internacionalmente.
Por outro lado, este tipo de rumores não vem à tona sem um motivo aparente, por mais simples que seja. No que tange o suposto consumo excessivo de bebidas do presidente brasileiro, de acordo com o mesmo porta-voz da presidência, os hábitos do presidente com relação a bebidas alcoólicas “em nada diferem da média dos cidadãos brasileiros”. Porém, o governo deve ter em mente que o exmo. sr. presidente não é um simples cidadão brasileiro. O cargo ocupado por Luiz Inácio Lula da Silva é a máxima representação de toda uma nação, onde sua conduta e postura, durante os quatro anos de seu mandato, simbolizam e refletem a imagem do Brasil.
Desta forma, mesmo num país onde o futebol e caipirinha são alguns dos seus principais expoentes culturais, estes conceitos não se aplicam a todos da mesma forma. O presidente da República, por tudo que ele representa, deve ter suas atitudes profundamente analisadas. A palavra-chave de sua conduta é ponderação. Deve-se ter em mente que, por exemplo, a prática de esportes, como o futebol, tem reflexos positivos, em contrapartida, a famosa cerveja após os jogos pode gerar sérios rumores.
Portanto, mesmo tendo as medidas cabíveis contra o jornal já terem sido iniciadas, as conseqüências da matéria foram imediatas. Novo desgaste do governo, aumento da pressão interna e externa sob o presidente, abalo da credibilidade do país, enfim, danos irreparáveis à almejada idoneidade nacional. No entanto, é um momento impar para o governo petista mostrar sua maturidade política. Mais que agir corretamente, a postura presidencial não pode gerar dúvidas e rumores, de nenhuma ordem. Todos os cidadãos brasileiros têm seus direitos, contudo, os deveres de cada um é que definem seu papel na sociedade; e os do presidente definem o próprio rumo do país.
O autor, Rafael Melo e Silva, é empresário do setor de agrobusiness.