O deputado estadual Arnaldo Jardim (PPS) anunciou nesta semana em Bauru que vai disputar a Prefeitura de São Paulo nas eleições municipais de outubro. É a primeira vez que o PPS terá candidatura própria ao Poder Executivo da Capital paulista. Jardim argumenta que a intenção é reforçar a presença do partido no cenário político nacional.
“Todos nós sabemos que os partidos vão enfrentar o desafio, em 2006, das cláusulas de barreira, ou seja, precisarão ter um determinado quociente eleitoral para poder continuar se apresentando como legendas. Se não participa das eleições, o partido se enfraquece muito”, justifica.
Além de Marta Suplicy - atual prefeita de São Paulo e candidata à reeleição -, Jardim terá candidatos de peso na disputa, dentre os quais o ex-senador José Serra (PSDB) e, possivelmente, o ex-governador Paulo Maluf (PP), que já comandou a cidade na década de 90.
Ele avalia que não é estranha a posição política do PPS paulista, que apóia o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador tucano Geraldo Alckmin.
“Alguns podem dizer que isso é uma incoerência. Não achamos porque temos uma norma de conduta que impede que o PPS seja confundido com qualquer partido oposicionista. Não temos nenhum tipo de negociação que envolva cargos, mas uma negociação que envolva idéias”, observa.
O parlamentar lembra que o partido votou a favor da reforma da Previdência. “Mas já em maio do ano passado identificamos problemas na política econômica do governo. E estamos terminando um documento que faz um levantamento da situação econômica. Isso vai reforçar a nossa oposição a atual política econômica”, avisa.
Em nível de Estado, Jardim assume que o PPS apóia o governador Geraldo Alckmin. “Mas com personalidade própria. Participamos ativamente da aprovação da Parceria Público Privado, a PPP. Houve tempos em que fomos contrários ao governo. Portanto, o PPS tem atuado como um partido propositivo que tem suas próprias idéias”.
O deputado garante que o apoio a Alckmin não significa que seu partido estará alinhado político e partidariamente ao PSDB. “Temos divergências com o PSDB em algumas cidades. Teremos alianças em outras.”
Empolgação
Sobre a pré-candidatura a prefeito do chefe de Gabinete da Prefeitura de Bauru, Antonio Sérgio Marsola, Jardim demonstra empolgação. “As pré-candidatos a prefeito que estão aí já disputaram outras eleições. O Marsola poderá ser a novidade nas eleições. Faz isso com base em um trabalho coerente de sua vida, que iniciou na corporação militar como soldado e saiu como coronel. É uma evolução que merece respeito”, analisa.
O parlamentar, no entanto, reconhece que o desgaste da administração do prefeito Nilson Costa (PTB) poderá ser um componente negativo na campanha que se aproxima.
“Não tenho dúvida disso. Seria falsear uma situação. Ele tem vínculo com o prefeito. Mas quero salientar o outro lado. Há pontos positivos na administração do Nilson. Ele tem uma linha de conduta que eu respeito muito, que é a sua integridade. Com isso, se compensa.”