25 de maio de 2026
Auto Mercado

Bauru ganha mil motos por ano

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Mais de 1 mil por ano ou, aproximadamente, três por dia. Esta é a média de crescimento da frota de motocicletas de Bauru, que no último quadriênio aumentou cerca de 28%. Estatísticas fornecidas pela 5.ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) apontam que, entre 2000 e os três primeiros meses de 2004, a quantidade de motos na cidade saltou de 17.371 para 22.365.

A análise dos números revela também que as motocicletas respondem por quase 16% - exatos 15,9% - da frota total de veículos de Bauru, atualmente estimada em 140 mil. Os dados demonstram, ainda, que o município acompanha a tendência nacional do mercado de motos, que há anos registra sucessivos aumentos de vendas.

Prova de que este mercado vai bem é que, em março de 2004, o setor bateu recorde histórico de comercializações - 82.134 unidades -, superando a marca - 80.066 - de outubro de 2003. Tal desempenho contribuiu para a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas e Similares (Abraciclo) manter as estimativas de negócios projetadas para o mercado interno este ano - 940 mil unidades - e externo - 110 mil.

Mas quais as razões para as motos caírem no gosto popular? O perfil dos compradores dá pistas, como o fato da maioria não possuir automóvel ou adquiri-las para substituir a utilização do ônibus ou carro. Além disso, os motociclistas são unânimes em apontar outros benefícios, como maior agilidade no trânsito, menor consumo de combustível e preços acessíveis.

Este conjunto de vantagens motivou o motoboy bauruense Alan Daniel dos Santos a trocar o carro pela moto, que se tornou seu veículo “oficial”. Como roda entre 150 a 200 quilômetros por dia, a economia é grande. “Quando trabalhava com carro gastava cerca de R$ 300,00 mensais com gasolina, além da manutenção periódica. Hoje, a despesa é menos que a metade disso e minha autonomia é maior”, compara.

Outro “sem-carro” por opção é o vendedor autônomo bauruense Paulo Sérgio Paschoal, que adotou a moto como meio principal de locomoção há seis anos. A exemplo de Alan, ele viajava diariamente centenas de quilômetros de automóveis, o que lhe exigia gastos consideráveis com combustível e reparos mecânicos.

“Só o que dispendia com o veículo deu para financiar a motocicleta, que é muito mais econômica, ágil e tem a grande vantagem de não pagar pedágio nas rodovias, um alívio para os viajantes”, comemora Paulo.

O vendedor bauruense Márcio Augusto Agnolo Pereira também é fã das máquinas de duas rodas desde 1995, quando adquiriu uma, mas não abre mão de ter um carro na garagem. Mesmo assim, ele não tem dúvidas de qual veículo utilizar no dia-a-dia. “A moto pode não ser tão confortável, mas o menor tempo que se gasta no trânsito e os menores custos para mantê-la compensam seu uso”, destaca.

Nem mesmo o fato da moto ser mais “frágil” nas vias assusta o vendedor, para quem o risco de envolver-se em um acidente está diretamente ligado a aspectos comportamentais. “O risco depende de quem tem ou não responsabilidade e consciência para pilotá-la”, frisa.

Apesar disso, Márcio tem outros bons motivos sentimentais para ser um apaixonado pelas motocicletas. “Meu noivado começou após conhecer uma moça que trabalhava em uma concessionária”, recorda.

Outro experiente motociclista bauruense, o comerciante Antonio Alves, mais conhecido por Tiririca, também segue a mesma linha ao destacar os benefícios das motocicletas. Para ele, que anda com motos há cerca de 25 anos, elas são essenciais para o trabalho. “Suas vantagens são incontestáveis”, resume.

Entretanto, Antonio considera que a preferência cada vez maior dos brasileiros pelas motocicletas acaba gerando “efeitos colaterais” desagradáveis. “Como a frota aumenta, o número de acidentes cresce. Por isso, os motociclistas precisam ser melhor instruídos para enfrentar esta preocupante realidade”, sustenta.