08 de julho de 2026
Auto Mercado

Acidentes também aumentam

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

Autoridades de trânsito bauruenses sustentam que o aumento da frota de duas rodas é uma das causas diretas da elevação dos índices de acidentes envolvendo motocicletas na cidade, conforme já relatado em reportagem publicada no AutoMercado&Cia há pouco mais de um mês.

Prova disso é que em abril deste ano a participação das motos em acidentes superou os índices registrados durante todo primeiro trimestre. As mortes também não ficam atrás. Nos quatro primeiros meses de 2004, cinco motociclistas já morreram nas vias locais, número que ultrapassou as vítimas fatais de 2001 - duas -, 2002 - três - e já se aproxima do total de 2003 - seis.

Segundo o capitão Nelson Garcia Filho, comandante da 4.ª Companhia da Polícia Militar de Trânsito de Bauru, o crescimento da frota de motos na cidade é um indício diretamente proporcional à maior probabilidade de ocorrências.

No entanto, ele ressalta que os grandes fatores causadores de acidentes com motociclistas ainda são comportamentais. “Os maiores vilões são o excesso de velocidade, as ultrapassagens proibidas e a negligência com os equipamentos, como o capacete”, enfatiza Garcia Filho.

Em relação às ultrapassagens, ele condena duas formas comuns praticadas por motociclistas bauruenses: as realizadas pela direita, proibidas pelo Código de Trânsito, e as executadas entre dois carros em movimento, que podem passar a ser proibidas pela legislação. “São atitudes incompatíveis à segurança nas vias”, resume.

Já sobre o capacete, o capitão pondera que o problema não está na freqüência, mas sim na maneira como é utilizado. “Muitos não o fixam corretamente na cabeça e não o prendem próximo ao queixo como obriga a lei, hábitos que podem causar mortes em um acidente”, alerta Garcia Filho.

Por isso, o comandante promete, além de intensificar a entrega de cartilhas educativas aos motociclistas, apertar a fiscalização a partir deste mês contra tais infrações. “Muitos acham-se invulneráveis no trânsito e, portanto, pensam poder andar como um louco por aí. Infelizmente, por mais que se fale, muitos só se conscientizam quando sentem o peso das multas no bolso”, finaliza.

O sucesso do mercado motociclístico nacional também é motivo de preocupação para a Organização Mundial da Saúde (OMS). Ela prevê que, no prazo de três a cinco anos, as vendas de motos devem superar a de automóveis, que tiveram 1,17 milhão de unidades comercializadas em 2003, uma alta de 29% em dez anos.

A entidade também projeta que, em 2010, as viagens diárias de moto crescerão de 310% a 375% em relação a 2000, dependendo dos avanços da economia do País, contra um “pulo” entre 19,8% e 36,1% das de carros. Assim, a OMS põe motociclistas, ciclistas e pedestres como os grupos mais vulneráveis a liderar a expansão de 65% das vítimas de trânsito até 2020, caso não sejam adotadas novas políticas de prevenção.