09 de julho de 2026
Auto Mercado

Eles foram até Floripa de bike

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Pelos mais variados motivos, os amigos bauruenses Alexandre Barros, Edilson Alexandre de Brito, Fábio Eduardo da Silva e Fabio José Malaguti tornaram-se fãs de bicicletas. Mas para a paixão pelas “magrelas” ser completa faltava um sonho que eles conseguiram realizar recentemente: fazer uma viagem no melhor espírito do cicloturismo até a região Sul do País.

Mas como a experiência marcou a estréia deles como cicloturistas, o roteiro escolhido não podia ser qualquer um. Após muitas confabulações e pesquisas, os amigos chegaram a um veredito: o destino final seria a Capital catarinense, Florianópolis, e durante o caminho o objetivo era conhecer os fortes e fortalezas espalhados nos Estados do Paraná e Santa Catarina.

No Paraná, o alvo era a fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres, na famosa Ilha do Mel. Já em Santa Catarina, o plano era ver as fortalezas de Santa Cruz de Anhatomirim, Nossa Senhora da Conceição, Santa Bárbara, São José de Ponta Grossa, Santo Antonio de Ratones e os fortes São Caetano, São Luis, São João e Santana.

O plano, batizado de projeto “Caminhos do Brasil - Pedal, História e Cultura”, só não foi cumprido à risca porque em dois pontos turísticos previstos para receber a visita - os fortes de São Caetano e São Luis - não havia nada a ser visto. “Só existem ruínas”, lembra Edilson. “Mas no resto foi perfeito, pois conhecemos tudo”, acrescenta.

Ele revela que, além da simples admiração pelas “bikes”, o grupo sempre mostrou vontade em aprofundar-se em detalhes histórico-culturais brasileiros. Desta forma, os amigos viram nas visitas aos fortes e fortalezas a grande oportunidade de satisfazer tal desejo, realizado com sucesso.

E, como toda primeira vez que se efetua algo prazeroso, a experiência foi inesquecível para todos. “É difícil traduzir em palavras o que sentimos nesta viagem, mas foi algo tremendo”, ressalta Edilson. “A hospitalidade e o espírito solidário das pessoas me impressionou”, destaca Alexandre. “Foi um desafio enorme, que em certos momentos te dá a impressão que você não vai suportar”, enfatiza Fábio Eduardo.

Mas eles agüentaram sem sustos. Só que completar a missão exigiu uma intensa fase preparatória, que durou seis meses e iniciou-se com uma longa pesquisa em revistas, jornais e Internet sobre os fortes e fortalezas, que lhes auxiliou a familiarizar-se com os aspectos histórico-culturais das localidades.

As bicicletas, modelos mountain bike, também receberam modificações, como a adaptação dos bagageiros para suportar até 25 quilos dos suprimentos necessários: alimentos (frutas, cereais e líqüidos), ferramentas e roupas - todas em tecido especial de fácil absorção e liberação do suor - envoltas em sacos plásticos para proteger contra chuvas, que atazanaram os ciclistas em vários momentos.

O planejamento também envolveu um cálculo médio de gastos diários durante a viagem, suficientes para adquirir alimentos e pagar os locais de hospedagem, como as pousadas. Os amigos também contaram com o apoio de empresas bauruenses - Chica Brasil, Radical Bike e Farmácia Veritas - para a realização da aventura.

Tanto esforço foi recompensado pelo fruto principal do planejamento: a prática de um cicloturismo de primeira qualidade, experiência que os amigos pretendem contar com a montagem de um site. “Nossa idéia é que ele evolua para um portal de informações, abordando relatos de passeios e aventuras do gênero”, conclui Edilson.

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Impressões

A aventura até o Sul marcou para sempre os bauruenses. Cada um teve seus altos e baixos durante a viagem, mas alguns locais visitados pelos cicloturistas tornaram-se unanimidades entre eles, como as fortalezas de Nossa Senhora da Conceição e a ilha de Campeche.

A primeira encantou todos, principalmente Edilson, pela beleza das edificações. “Cada lugar tinha uma surpresa diferente, mas lá pareciam as ruínas de uma cidade grega. Belíssimas”, suspira ele. Já a ilha chamou a atenção por conter inscrições rupestres (de civilizações antigas). “Foi emocionante ver de perto inscrições feitas há cerca de 5 mil anos”, recorda Fábio Eduardo.

Apesar disso, a viagem também não foi só um “mar de rosas”. Apesar de serem amigos, algumas “rusguinhas” esquentaram o clima durante a aventura. “Para mim foi a parte mais difícil, pior até mesmo do que as subidas de serras que enfrentamos. Mas felizmente logo superávamos os pequenos desentendimentos”, frisa Fábio Eduardo.

Para isso, as brincadeiras ajudavam muito, como as feitas por Alexandre durante a entrevista. “Bom de pedal mesmo era eu e o Edilson, porque o Fábio Eduardo servia para ser o mecânico e o Malaguti era o fotógrafo”, diz, provocando gargalhadas gerais.

Desta forma, os cicloturistas frisaram ter conseguido saldo positivo da viagem. “Faríamos tudo de novo e já temos planos para outras, como conhecer os fortes existentes no Rio Grande do Sul”, revela Edilson.