07 de julho de 2026
Bairros

Córregos e rios continuam sob risco

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 5 min

A quantidade de rios e córregos que passam por Bauru é inversamente proporcional aos cuidados que eles recebem. Somando áreas urbana e rural, são mais de 200 mananciais. Grande parte deles compõe um cenário calamitoso, principalmente dentro do perímetro urbano da cidade.

A situação continua crítica e pouco foi feito ao longo dos últimos anos para revertê-la. Rios e córregos são atacados em várias frentes - poluição, assoreamento decorrente de erosões, degradação de mata ciliar e ocupação de áreas de preservação permanente (APPs), entre outras.

Principal rio que corta a área urbana, o Bauru recebe todo o esgoto da cidade e está morto. Já o Batalha, responsável por 58% do abastecimento do município, está secando por assoreamento. Ele faz a divisa entre Bauru e Piratininga. Na área rural do município, tem quase 200 afluentes.

A bacia do rio Bauru é formada por 11 córregos. O primeiro trecho é chamado Água da Ressaca. Depois estão o Água da Forquilha, o Água do Sobrado, o Ribeirão da Grama, Água do Castelo e Ribeirão das Flores, Córrego do Barreirinho, Água Comprida, Vargem Limpa (com dois trechos distintos) e Córrego do Arroz.

Todos os córregos citados recebem esgoto. Alguns têm trechos limpos. Por exemplo, o Vargem Limpa não recebe esgoto da nascente à rodovia Bauru-Ipaussu. O rio Bauru passa a receber detritos orgânicos no trecho do Parque das Nações.

Já as águas do córrego do Barreirinho estão comprometidas desde a nascente, no Jardim Ivone. É que lá existe uma favela, cuja quantidade de esgoto produzida é pequena, porém suficiente para contaminar o manancial.

Alguns córregos de Bauru já receberam interceptores. Trata-se de tubulações instaladas às margens que recolhem o esgoto que seria despejado no leito. Quando há tratamento de esgoto, os detritos têm como destino a estação de tratamento. Quando não há, o esgoto é jogado em algum ponto mais adiante do rio ou córrego, poupando o trecho com interceptor.

O ambientalista Rodrigo Agostinho explica que, através de instalação de uma grande rede de interceptores, seria possível despoluir os córregos e concentrar o esgoto apenas no rio Bauru, até que a estação de tratamento seja construída e comece a operar.

O problema é que em alguns casos há problema de vazamento de esgoto ou de tubos estourados, fazendo com que a água continue sendo poluída. Isso já aconteceu no córrego do Barreirinho e no Água do Castelo.

O Água Comprida tem três quilômetros de interceptores concluídos recentemente pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE). Mas grande trecho ainda está desprovido e vulnerável aos detritos.

“Os problemas não foram resolvidos mesmo nesses córregos que já têm interceptores”, critica Agostinho.

O rio Batalha recebe esgoto em poucos pontos. Um deles é o Jardim Vitória, próximo ao Jardim Ouro Verde, onde há uma favela.

O problema da poluição atinge até mesmo o córrego da Água Parada, na zona rural. O DAE tem planos de futuramente retirar água de lá para abastecer parte da cidade.

A nascente do Água Parada está localizada na erosão da Pousada da Esperança 2. Portanto, ele é contaminado logo no início. O aterro sanitário também elimina resíduos que poluem o córrego. Além disso, as penitenciárias 1 e 2 de Bauru jogam esgoto no manancial.

Assoreamento

A maior parte das nascentes da bacia do rio Bauru está em locais de erosão, agredidas por lixo e esgoto. “As nascentes urbanas estão bem contaminadas e destruídas”, diz o ambientalista Agostinho.

“As do rio Batalha sofrem com erosões rurais e assoreamento. Muitas delas já secaram. As do Água Parada estão na mesma situação”, acrescenta.

O assoreamento também é o principal problema do rio Batalha. Acredita-se que suas águas são suficientes para abastecer Bauru por mais três anos apenas. As erosões ocuparam o leito do rio e soterraram as nascentes. O DAE desassoreou a lagoa de captação do rio, mas a ação foi pontual.

“Só aumenta o reservatório de água naquele ponto, mas o rio todo continua assoreado”, explica Agostinho.

As áreas de preservação permanente de Bauru também estão sob risco. Temos muitos casos de ocupação em Bauru. As 17 favelas da cidade são exemplos. Além da poluição da água por detritos orgânicos, a mata ciliar que protege o leito sofre degradação.

Sem falar da ocupação das APPs por avenidas. Por exemplo, a avenida Nações Unidas, construída às margens do Ribeirão das Flores (canalizado) e a avenida Nações Unidas, que margeia o rio Bauru. Já são exemplos tradicionais no município.

“Com a ocupação descontrolada das margens, você destrói áreas prioritárias para a conservação do rio. Devido à má utilização do solo, aumenta o problema das erosões”, expõe Agostinho.

Embora haja tantos entraves, há também avanço na avaliação do ambientalista. “Bauru avançou ao compreender esses problemas e realizar seu planejamento com base nisso. As discussões do novo Plano Diretor estão sendo feitas com base no que aprendemos com essa degradação”, diz.

Do ponto de vista prático, entretanto, pouco foi feito. “As erosões e o esgoto estão aí para todo mundo ver. Falta Bauru assumir o compromisso de recuperar essas áreas e tratar o esgoto”, conclui.

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DAE

Quanto aos vazamentos de interceptores, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru informa que desconhece problemas atuais. A assessoria de imprensa afirma que os munícipes devem comunicar a autarquia sobre eventuais problemas.

Ainda segundo a assessoria, todos os problemas desse gênero que chegam ao conhecimento do DAE têm sido solucionados.

A autarquia informa também que nem sempre os vazamentos são provocados por falhas do DAE. Empresas que operam nas proximidades eventualmente poderiam acarretar rompimentos ou entupimentos.