O titular da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), Luiz Pires, admite que a situação dos córregos de Bauru é crítica principalmente na área urbana.
“O problema é muito mais grave na área urbana. São as áreas de preservação permanente, o esgoto, as erosões. O rio Bauru está totalmente poluído, o Ressaca está sem vida em alguns pontos. Todos os córregos sofrem com a falta de tratamento de esgoto”, cita.
Pires confirma que a perda de solo através das erosões é um problema de extrema gravidade. Além disso, contrariando levantamento divulgado em abril pela Prefeitura de Bauru, diz que Bauru tem atualmente mais de 30 erosões no perímetro urbano.
“Algumas já estão em fase de combate pela prefeitura, através da instalação das redes de drenagem. A prefeitura não tem condições de atacar todas ao mesmo tempo. São obras caras”, expõe.
Outro problema é a falta de tratamento de esgoto. “Bauru joga todo seu esgoto no rio Bauru e em diversos outros córregos que desembocam nele. A qualidade da água também foi comprometida nos afluentes”, afirma.
E, claro, a degradação das áreas de preservação permanente (APPs), às margens dos rios e córregos, não poderia deixar de ser citada. “Retirado o esgoto dos córregos, teríamos que atacar o problema das APPs. Temos de procurar a recuperação das áreas”, reforça.
Pires parabeniza o trabalho que organizações não-governamentais (ONGs) ambientais vem realizando em Bauru, como o Instituto Ambiental Vidágua e o Fórum Pró-Batalha.
“Essas ações devem continuar sendo implementadas. Nunca houve o respeito necessário com os cursos d’água. Esperamos também que, futuramente, com o tratamento do esgoto, tenhamos rios limpos novamente, com a fauna de volta a eles”, acrescenta o secretário de meio ambiente.
O prazo dado pelo Ministério Público (MP) para que a Prefeitura de Bauru e o Departamento de Água e Esgoto (DAE) iniciem o tratamento de esgoto termina no próximo dia 5 de junho. O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em setembro de 2000 prevê multa diária de 1.000 Ufesps, cerca de R$ 12 mil, até que 100% dos detritos passem por tratamento.
A prefeitura solicitou esta semana prorrogação do prazo para concluir a obra. O MP vai dar a resposta em até 10 dias. A administração municipal também está buscando recursos para as obras necessárias.