08 de julho de 2026
Articulistas

Uma questão polêmica


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Não é fácil definir liberdade. Mais difícil ainda conceituar liberdade de imprensa. O que dizer então da definição de ética? Talvez liberdade e ética sejam conceitos em busca de elaboração pelo espírito contemplativo do ser humano, na sua busca eterna pelo conhecimento da razão de sua existência. Entendo, porém, ser impossível separá-las. Só posso exigir liberdade, para minha pessoa e para a sociedade, se exercitar a ética. E só posso ser ético se a liberdade estiver presente.

O jornalista americano do NYT não foi ético. E por isso desrespeitou a liberdade, inerente à profissão, que deveria possuir. Dissociou a ética da liberdade. Acobertou-se em imaginárias proteções para divulgar notícias sem base comprovada. Foi antiético jornalisticamente falando. Pode ser defendido alguém que, em sua profissão, é antiético?

Apelo para o Código de Ética Médica. Está acessível para qualquer pessoa interessada. Em seus artigos contém mais vedações que direitos. Tenho a certeza de haver um código semelhante para a imprensa. Haverá mais direitos ou mais vedações?

Sabe-se que notícias do Iraque, como eram as do Vietnã, são censuradas. Só são veiculadas quando os fatos se tornam evidentes de tal maneira se tornar impossível o acobertamento. Agora, o NYT, apoiado por setores do Brasil, vem nos ditar o que é liberdade de imprensa?

A liberdade, sempre perseguida pelo homem, tem limites. A liberdade de imprensa, quando se é detentor de um veículo capaz de caluniar, difamar, injuriar, fundamentado em ilações, tem ainda maiores os seus limites. Não se pode escrever o que se quer. Pode-se escrever sobre o fato comprovado.

Por isso, apóio a Presidência da República nas providências tomadas, apesar da situação já ter sido resolvida. E protesto contra os que defendem o jornalista americano por defender.

O autor, Luiz Fernando Ribeiro, é médico e ex-secretário municipal de Saúde.