11 de julho de 2026
Política

Rombo nos cofres públicos de Ribeirão Bonito chega a R$ 500 mil

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

As investigações que levaram à cassação do ex-prefeito de Ribeirão Bonito, Antonio Sérgio Mello Buzzá, apontaram um rombo de cerca de R$ 500 mil nos cofres públicos municipais, dinheiro que foi desviado durante o processo de compra de gêneros para a merenda escolar.

Após as denúncias feitas pela Amarribo, uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) instaurada na Câmara Municipal de Ribeirão Bonito, em dezembro de 2001, confirmou a procedência das irregularidades. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) também apontou problemas durante o processo licitatório.

Em abril de 2002, a Justiça afastou Buzzá e três funcionários da prefeitura de suas funções.

Para tentar escapar da cassação, o ex-prefeito renunciou ao cargo. A Câmara decidiu, porém, dar continuidade aos trabalhos da Comissão Processante (CP) que havia sido instaurada após a CEI. Em junho daquele ano, Buzzá foi cassado por unanimidade.

Como se negava a colaborar com a Justiça e com o Ministério Público (MP) e, muitas vezes, não comparecia às audiências agendadas para tratar do caso, o ex-prefeito teve a prisão preventiva decretada.

Buzzá ficou foragido durante três meses, mas acabou sendo encontrado em Chupinguaia (RO), onde estava trabalhando como médico da prefeitura local. Ele passou dez meses na cadeia e, atualmente, responde ao processo judicial em liberdade.

Entre o início das denúncias e a cassação do ex-prefeito, a Amarribo também colaborou financeiramente com as investigações. “As palavras datilografadas nas cartas de licitação de três ou quatro empresas, por exemplo, apontavam o mesmo erro gráfico, ou seja, eram feitas na mesma máquina e pela mesma pessoa. Para comprovar essa situação, porém, o material teve que ser periciado e fomos nós quem bancamos os custos”, relata o vice-presidente da ONG, Pedro Sérgio Ronco.

Tanto empenho, porém, acabou provocando reações contrárias ao trabalho dos membros da Amarribo. “Houve ameaças e eu, particularmente, recebi telefonemas em casa e tive um automóvel totalmente depredado”, relembra Ronco.

As investigações em andamento na Justiça e na Polícia Federal também apontam indícios de que Ribeirão Bonito pode ser, na verdade, apenas uma das cidades envolvidas em um esquema de corrupção maior, que atingiria, ainda, as prefeituras de São Carlos, Descalvado, Ibaté e Porto Ferreira. O processo envolveria ex-prefeitos, comerciantes e funcionários públicos.